“Campanha Bata Branca” regressa para levar cuidados médicos especializados às ilhas com menos recursos

O projeto “Campanha Solidária Bata Branca”, criado em 2018 por cabo-verdianos residentes no Luxemburgo, está de regresso com o objetivo de levar consultas médicas especializadas às ilhas onde o acesso a cuidados de saúde é mais limitado. Depois da primeira experiência na ilha do Maio, onde foram atendidas cerca de 100 crianças, o projecto possivelmente vai à São Nicolau.
A ideia é alargar a intervenção às ilhas de São Nicolau, Boa Vista, Santo Antão e Brava, contando com uma equipa de profissionais de saúde que disponibilizam, de forma voluntária e gratuita, o seu tempo durante o período de férias. Ao Mindelinsite, o pneumologista José Luís Spencer explicou que a primeira missão decorreu em 2018, quando, juntamente com a analista clínica Natalina Spencer, aceitou o convite para prestar apoio médico na ilha do Maio.
“Na altura atendi cerca de 100 crianças durante uma semana, enquanto a Natalina apoiou a organização das consultas e o laboratório, em colaboração com a equipa local”, recordou o médico, acrescentando que as consultas decorreram na Delegacia de Saúde do Maio, então dirigida por Nilson Sanches.
Segundo José Luís Spencer, a intenção era dar continuidade ao projeto noutras ilhas, mas a pandemia da covid-19 obrigou à suspensão da iniciativa. “Decidimos retomar o projeto agora com mais valências. Assim que os amigos do Luxemburgo anunciaram o regresso, vários profissionais de saúde manifestaram interesse em participar”, afirmou.
Entre os voluntários estão confirmados a participação da médica Francisca Inocêncio, do ortopedista Octávio Brito, do enfermeiro Ilídio Costa, da médica dentista Lolly Graça e da nutricionista Milene Lima, podendo juntar-se outros especialistas nas áreas da oftalmologia, dermatologia e outras especialidades.
A primeira missão desta nova fase deverá decorrer na ilha de São Nicolau, entre setembro e outubro, aproveitando o período de férias dos profissionais envolvidos. “O objetivo é chegar às localidades onde o acesso aos cuidados especializados é mais difícil. Quando visitamos estas ilhas percebemos as disparidades que ainda persiste, apesar de estarmos no mesmo país. Poder contribuir para reduzir essas dificuldades é uma enorme satisfação”.
O médico destacou ainda o impacto da primeira missão no Maio, lembrando que a população acolheu o projeto com entusiasmo, o que motivou outras pessoas a manifestarem interesse em colaborar antes da interrupção causada pela pandemia. Relativamente às patologias encontradas durante a primeira campanha, José Luís Spencer explicou que predominavam doenças de pele, casos de anemia e doenças respiratórias comuns no período pós-chuvas, situações que, na maioria dos casos, eram de tratamento simples.
Nesta nova etapa, a organização está também a estudar a possibilidade de disponibilizar medicamentos às populações beneficiárias, através de parcerias e patrocínios. Os promotores apelam à adesão de médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais de saúde interessados em integrar as missões ou prestar apoio técnico e logístico nas ilhas abrangidas, reforçando que o sucesso da iniciativa.






