
Os antigos dirigentes do Congresso dos Quadros Cabo-verdianos da Diáspora, em parceria com a Associação Caboverdeana e a Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, promoveram, no dia 6 de junho, uma sessão pública de homenagem a Lucas Filipe da Cruz, figura central e fundador do Congresso dos Quadros Cabo-verdianos da Diáspora.
A cerimónia, realizada no Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, decorreu sob o alto patrocínio do Presidente da República, José Maria Neves, e do Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva. O homenageado foi distinguido pelo seu legado de liderança, dedicação e contributo para o fortalecimento da comunidade cabo-verdiana na diáspora e para a sociedade em geral.
Durante a sessão, várias personalidades destacaram o percurso e a visão de Lucas da Cruz, considerado um exemplo de compromisso, profissionalismo einspiração para diferentes gerações de cabo-verdianos. Entre os testemunhos esteve o de Maria de Lourdes Jesus, que integrou a Comissão Organizadora dos Congressos dos Quadros Cabo-verdianos da Diáspora.

Na sua intervenção, manifestou profundo respeito e admiração pelo homenageado, sublinhando o seu papel determinante ao longo de duas décadas na realização dos congressos promovidos entre 1998 e 2011. “É com elevado respeito e admiração que me dirijo ao ilustre cidadão Dr. Lucas da Cruz neste dia muito especial, em que é homenageado pelo seu valioso empenho durante 20 anos na realização dos Congressos dos Quadros Cabo-verdianos da Diáspora”, afirmou.
Maria de Lourdes destacou ainda a capacidade de Lucas da Cruz para mobilizar e inspirar os dirigentes associativos da diáspora. Segundo explicou, nos anos 90 várias comunidades emigradas, incluindo a de Itália, enfrentavam novos desafios que exigiam uma abordagem mais abrangente e integrada a nível europeu. “Foi o Dr. Lucas da Cruz quem apresentou essa visão inovadora, que revolucionou a forma de encarar os desafios da nossa diáspora”, salientou.

Recordando o primeiro Congresso dos Quadros Cabo-verdianos da Diáspora, realizado em Lisboa em 1994, a interveniente referiu que ficou então evidente a necessidade de enfrentar os desafios das comunidades cabo-verdianas numa perspetiva simultaneamente local e global.
Na sua opinião, os congressos desempenharam um papel fundamental na formação de novos líderes associativos, lançando as bases para a renovação das estruturas comunitárias. Hoje, são os jovens das gerações seguintes que assumem a responsabilidade de dinamizar e orientar as atividades das comunidades cabo-verdianas na Europa e noutras partes do mundo.

Num ambiente marcado por emoção e reconhecimento, Maria de Lourdes expressou a sua gratidão pelo empenho e dedicação de Lucas da Cruz ao Congresso dos Quadros , considerando que o seu trabalho deixou marcas profundas e duradouras na primeira geração de dirigentes e nas que se seguiram.
Natural de S. Vicente, Lucas da Cruz é Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, construiu uma carreira de destaque nos campos jurídico, empresarial e da internacionalização empresarial. Com uma longa passagem por empresas da área da energia, os seus últimos anos profissionais estiveram ligados à Cimpor, onde foi membro do Conselho de Administração e da sua Comissão Executiva durante cerca de 20 anos, sendo Vice-Presidente nos últimos 10, com um papel crucial na internacionalização da empresa.

Foi, ainda, accionista fundador e Presidente da Assembleia Geral da SEPI, empresa fundadora do BCN. Paralelamente, teve uma intensa actividade cívica, religiosa e desportiva, tanto em Cabo Verde como em Portugal. Pioneiro do associativismo na diáspora cabo-verdiana, foi sócio fundador e primeiro Presidente da Casa de Cabo Verde (Lisboa, 1970).
Membro fundador do Congresso de Quadros Cabo-verdianos da Diáspora, foi seu Presidente entre 1994 e 2006. Neste quadro, foi um dos mais activos impulsionadores do diálogo no seio da diáspora cabo-verdiana e com Cabo Verde. É reconhecido pela liderança empresarial e pelo inestimável contributo para o desenvolvimento do diálogo entre as comunidades cabo-verdianas.
Fotos: Cortesia Ben do Rosário e Marzio Marzot






