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Banco Mundial revê em baixa projeções de crescimento na África Subsaariana

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A recuperação económica da África Subsaariana está a mostrar sinais de estagnação, com as projeções de crescimento para 2026 revistas em baixa em 0,3 pontos percentuais em relação às estimativas publicadas em outubro de 2025, de acordo com a última edição do Africa Economic Update, o relatório económico semestral do Grupo Banco Mundial para a região.

Em um comunicado, a instituição explica que os riscos geopolíticos, incluindo o conflito no Médio Oriente, os elevados encargos com o serviço da dívida e as limitações estruturais de longa data, continuam a pesar sobre a capacidade da região para acelerar o crescimento e criar empregos. O relatório, pontua, antes intitulado Africa’s Pulse, considera que o crescimento para 2026 na África Subsaariana se mantém em 4,1%, o mesmo ritmo que em 2025, mas os riscos de abrandamento estão a aumentar. 

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Alega que o aumento dos preços dos combustíveis, dos alimentos e dos fertilizantes, juntamente com condições financeiras mais restritivas, pode fazer subir a inflação, perturbar as atividades económicas e afetar de forma desproporcionada as famílias mais vulneráveis, que gastam a maior parte dos seus rendimentos em alimentos e energia. “A curto prazo, os governos devem direcionar os escassos recursos para proteger os agregados familiares mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, a manutenção da estabilidade macroeconómica – através do controlo da inflação e de uma gestão orçamental prudente – será essencial para enfrentar o atual choque e posicionar os países africanos para uma recuperação mais rápida assim que a crise passar,” explica Andrew Dabalen, Economista-Chefe do Grupo para a Região de África.

Defende que a elevada dívida pública e os custos crescentes do serviço da dívida continuam a limitar a capacidade desses países de financiar as suas prioridades de desenvolvimento e de investir nas infraestruturas necessárias para criar mais e melhores empregos. No geral, garante, os investimentos de capital público estão 20% abaixo do nível de 2014, enquanto a relação entre o serviço da dívida pública externa e as receitas duplicou nos últimos oito anos— de 9% em 2017 para 18% em 2025. “Prevê-se que a inflação aumente para 4,8% em 2026, impulsionada em grande parte pelos efeitos do conflito no Médio Oriente”, frisa, indicando que a diminuição do financiamento externo, em particular a redução das ajudas ao desenvolvimento, está a aumentar a pressão para os países de baixos rendimentos.

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Com a perspectiva de entrada de mais de 620 milhões de pessoas na força de trabalho de África até 2050, o BM adverte que os países têm de mudar para um crescimento que seja mais produtivo, diversificado e liderado pelo sector privado, para criar empregos. Para isso, afirma, será necessária uma ação coordenada a nível regional, nacional e sectorial, apoiada por investimentos em infraestruturas, competências e instituições que reduzam os custos das actividades empresariais e atraiam investimentos privados.

Diz que um dos focos do Africa Economic Update é a política industrial como instrumento de crescimento económico e de criação de empregos. Diz que os países utilizam essas políticas como um instrumento para expandir indústrias específicas e posicionarem-se para beneficiar da procura crescente de bens africanos, desde os minerais essenciais para as tecnologias emergentes até aos produtos farmacêuticos. 

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O relatório aponta que os países devem implementar políticas que promovam a aprendizagem rápida e movam estrategicamente a economia para bens e serviços de maior valor que possam criar mais e melhores empregos. “Políticas industriais bem concebidas podem ajudar a desbloquear ganhos de produtividade e levar à criação de mais empregos, mas apenas se estiverem fundamentadas numa compreensão realista das oportunidades e das restrições do país e se forem utilizadas com moderação”, sublinha, indicando que estas políticas devem ser apoiadas por uma forte capacidade de implementação e integradas em ecossistemas que incluam infraestruturas fiáveis, mão-de-obra qualificada, acesso ao financiamento e a integração do mercado regional.

Defende o BM que ter as políticas industriais certas em África dependerá da implementação disciplinada de políticas, da promoção de atividades económicas em vez de empresas, de padrões de desempenho claros, de estratégias de saída credíveis e de uma integração regional mais aprofundada, nomeadamente através da Zona de Comércio Livre Continental Africana. Sem estas bases, as políticas industriais correm o risco de criar enclaves isolados ineficazes em vez de uma ampla transformação económica, concluiu. 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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