Polo Oncológico marca o início de um novo capítulo na resposta à doença oncológica em SV

O Polo Oncológico de S. Vicente representa um momento marcante do desenvolvimento do sistema de Saúde na ilha e aproxima do objectivo de garantir cuidados mais próximos, qualificado e humano para as pessoas que vivem com cancro, afirmou a coordenadora do Programa Nacional de Luta contra as Doenças Oncológicas. Para Carla Barbosa, este serviço marca o início de um novo capítulo na resposta à doença oncológica em Cabo Verde.
Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Luta contra as Doenças Oncológicas, o cancro constitui um dos maiores desafios de saúde pública em Cabo Verde. Representa uma das principais causas de mortalidade e continua a ser uma das principais causas de evacuação externa. E é com dados do registo enológico que justificam a sua afirmação. “Estimam-se cerca de 500 novos casos por ano no nosso país. O cancro da mama é mais frequente nas mulheres e o da próstata o mais incidente nos homens.”
Para Carla Barbosa, estes dados não são apenas números. Representam pessoas, famílias e histórias de vida. E é por trás destas histórias que se revela a verdadeira importância deste Polo Oncológico de S. Vicente, que nasce como uma resposta concreta. O projeto, disse, foi desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Calouste Gulbenkian, com apoio técnico de institutos e hospitais parceiros de Portugal, com objetivo reforçar áreas essenciais da abordagem do cancro no arquipélago.

Esta cooperação entre Portugal e C. Verde definiu como as principais áreas prioritárias, sublinha, o diagnóstico, o tratamento e a formação em oncologia. No domínio da formação especializada, revela, os profissionais cabo-verdianos realizaram estágios em Portugal em oncologia, anatomia patológica, imagiologia, ginecologia, urologia, cuidados paliativos, diagnóstico e cirurgia de cancro da mama e da próstata, bem como na preparação de citotóxicos e também o registro oncológico.
Ao mesmo tempo, foi reforçado a formação em contexto de trabalho no país, envolvendo equipas médicas e de enfermagem. Destaca-se neste processo a capacitação com pós-graduação de cirurgiões em diferentes áreas de cirurgia oncológica, bem como a formação de enfermeiros em cuidados oncológicos e cirurgia oncológica, fortalecendo as equipas dos hospitais centrais, e no reforço do equipamento, pontuou.
“Estas intervenções permitiram introduzir novas técnicas diagnósticas e, como consequência, registamos um aumento do número de cancros diagnosticados, de cirurgias oncológicas e de sessões de quimioterapia realizadas no nosso país, permitindo tratar mais doentes dentro do nosso sistema de saúde. Este progresso trouxe também um novo desafio”, detalhou Carla Barbosa.
Lembrou que muitos doentes de Barlavento, que outrora eram evacuados para Portugal, passaram a ser transferidos para o Hospital Agostinho Neto. Criou-se, diz, uma nova realidade, a evacuação interna por doença oncológica, que também representa um desafio para os doentes, para as famílias e para o próprio sistema. Isto porque, afirma, só em 2025, registaram-se 64 evacuações de doentes oncológicos, refletindo uma crescente necessidade de reforçar e descentralizar a resposta oncológica no país.

Para responder a essa necessidade, sublinha, tornou-se evidente a importância da criação desta unidade hospitalar. “A inauguração deste pólo representa, portanto, um passo decisivo na descentralização e no repouso dos cuidados oncológicos em Cabo Verde”, assegurou, indicando que o projeto mostra que investir em oncologia é uma decisão estratégica para o desenvolvimento do sistema de saúde e para a proteção das famílias cabo-verdianas.
Carla Barbosa expressou, por isso, reconhecimento à Fundação Calouste Gulbenkian, em especial à doutora Leonor Soares, pelo apoio constante a este projecto, e aos outros institutos portugueses de oncologia, ao hematologista Paulo Almeida, que também realizou uma capacitação na área de Oncologia e que tem contribuído para o reforço da resposta clínica nesta área, na ilha. Ainda, ao Conselho de Administração do Hospital Universitário Agostinho Neto.






