
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional afirmou ontem em S. Vicente que a “marca Cabo Verde” está sob ataque. Em causa, disse José Luís Livramento, estão falsas alegações em matéria de saúde pública, feitas por pessoas que fazem circular notícias e planejam ações judiciais para ter acesso a dinheiro fácil para parar a dinâmica do turismo no arquipélago, que recebe anualmente mais de um milhão de turistas.
Estas considerações foram avançadas em conferência de imprensa no Mindelo por este governante que, no quadro das suas funções, em termos de diplomacia económica, faz a promoção e também a defesa da “marca Cabo Verde”. E é com este objetivo que, disse, o seu ministério decidiu realizar uma ampla ação para esclarecer esta problemática, que tem bases falsas e visa conseguir algumas indemnizações.
Adianta que o MNECIR, em articulação com os ministérios da Saúde e do Turismo e Transportes, vai esclarecer a opinião pública e repudia formalmente as falsas alegações divulgadas por órgãos de comunicação social que associaram Cabo Verde a um alegado surto ativo de Shigella. “Tais asserções caracterizam-se pela ausência de fundamentação técnica ou de notificação oficial através dos canais diplomáticos e sanitários internacionalmente estabelecidos. Até a presente data não foi emitida qualquer notificação formal pela Organização Mundial da Saúde, Centros de Controle e Prevenção de Doenças ou autoridades sanitárias que identificam Cabo Verde como origem de um surdo epidemiológico”, observou.
Segundo Livramento, Cabo Verde pauta-se para o mais elevado rigor científico e pelos princípios da transparência e boa fé na cooperação internacional. “O país opera com base em evidências técnicas e mecanismos oficiais de comunicação entre Estados, pelo que a mera associação temporal entre viagens e ocorrência de casos de doença não constitui prova da causalidade, a qual exige confirmação e investigação laboratorial e epidemiológica estruturada em requisitos que não foram observados nas notícias divulgadas”, reforça, reafirmando o compromisso inabalável do país com a segurança sanitária, sustentado por investimentos significativos na modernização das infraestruturas da saúde, na segurança alimentar e na manutenção de um sistema de vigilância ativo e articulado com as redes internacionais.
Entende o governante que o rápido e contínuo crescimento do setor turístico do país, que recebe anualmente mais de um milhão de visitantes, é testemunho da confiança que a comunidade internacional deposita na estabilidade do país. “Cabo Verde permanece sendo um destino turístico seguro, estável e acolhedor, desenvolvendo periódicas e rigorosas inspeções às unidades turísticas, com realce para os hotéis, bem como pela aplicação de altos padrões a nível do saneamento e sustentabilidade urbana.”
De forma contundente enfatiza que a credibilidade internacional, construída através de décadas de uma “governação responsável e de trabalho sério”, não será comprometida por narrativas desprovidas de rigor factual. Aproveita para convidar os parceiros internacionais, investidores e turistas a manter a sua confiança na excelência e na hospitalidade que sempre distinguiram o país.
Instado se questiona a credibilidade de prestigiados órgãos de imprensa como o The Sun, o governante limita-se a dizer que todos conhecem as notícias que têm sido espalhadas, sem respeito pelos princípios jornalísticos, sem confirmar e sem ouvir as autoridades em Cabo Verde, mas escrevem que os mortos foram por doenças apanhadas no país. “Isso nos faz supor que esta campanha jornalística foi orquestrada e tem por detrás pessoas que querem indemnizações ou atrapalhar a dinâmica do turismo no arquipélago.”
Questionado se estas campanhas podem afetar a confiança dos turistas que visitam Cabo Verde, este é categórico em negar. “Acredito que não, mas se não fizermos nada… É por isso que estamos aqui. O MNE vai desenvolver uma ampla diplomacia económica no sentido de defender a reputação da marca Cabo Verde e mostrar que tudo o que está nas notícias são falsidades, pelos motivos já expostos. Não se provou que essa doença que levou à morte foi apanhada em Cabo Verde”, disse, lembrando que foi um casal de turistas que trouxe a Covid-19 para o país. “Fomos generosos e compreensivos.”






