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S. Vicente pós-Erin: PAICV desafia o Governo a trocar a propaganda por calendário de execução e responsabilidade pública 

O PAICV, pela voz do seu vice-presidente João do Carmo, desafiou o Governo a trocar os “estilhaços de propaganda” por definições claras, calendários de execução e responsabilidade pública. O partido reage assim à recente visita de uma extensa comitiva governamental à ilha de São Vicente, cujo programa contemplou um encontro-balanço a meio percurso das intervenções feitas ou programadas para São Vicente no pós-Erin.  

Em conferência de imprensa no Mindelo, Do Carmo afirmou que o PAICV tomou nota, surpreso e alguma saudade do bom-senso, a apresentação feita por membros do Executivo e pelo edil sobre o balanço “a meio-percurso” dessas intervenções, em uma sessão de duas horas com números e slides bonitos, num remate dos últimos anos. “O Governo trocou a governação pela apresentação em PowerPoint, onde possíveis projetos que dizem respeito à vida coletiva são preparados num laboratório fechado, partilhados apenas com o clique dos afetos, e depois lançados como foguetes de festa em ano de eleições”, indicou. 

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O cúmulo do surreal, disse o político, foi assistir a anúncios de “protocolos” entre o Governo e instituições do próprio Governo. “É a performance burocrática suprema em que se anuncia aquilo que é simplesmente o dever de ofício, como se fosse uma conquista épica. É preciso ter ‘protocolo´ para a própria administração fazer o seu trabalho? Ou será apenas para encher o noticiário e ludibriar eleitores com papelório que parece projeto?”. interrogou. 

Segundo João do Carmo, o que São Vicente e o que Cabo Verde precisa não são largas e abastadas digressões de ministros com gráficos bonitos. Precisa de ação efetiva, compartilhada com os eleitos, com as comunidades, transparente e avaliável. Precisa de menos “estilhaços de propaganda” e mais alicerces de obra. Mais, enquanto o Governo se mantém prisioneiro dos seus próprios efeitos especiais, o país real, diz o porta-voz do PAICV, espera por resultados que não chegam há uma década. 

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Entende o vice-presidente do referido partido que o povo não é auditório para ser entretido com slides. É sim o principal ator e beneficiário da governação, sublinha, exigindo o fim dos anúncios de circunstância e o início de responsabilidade, seriedade e trabalho de verdade, sem protocolos teatrais. “Quando é que os anúncios deixam de ser figurinos e passam a ser obra?”, interrogou. 

“O que se tem visto são deslocações para as câmaras-fotográficas, power points como cartazes de carnaval e protocolos entre órgãos do próprio Estado que mais parecem preencher um guião de campanha do que resolver problemas ”, respondeu, indicando que estes anúncios se transformam em “refogados de ocasião”, com muito tempero e pouca substância, enquanto as promessas ficam por cumprir.

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O PAICV defende, conforme a citada fonte, que medidas que tocam a vida coletiva devem nascer da partilha transparente com as comunidades afetadas e avaliáveis em resultados reais, não apenas manchetes que visam eleições. Apela, por isso, ao Governo que troque os “estilhaços de propaganda” por definições claras, calendários de execução e responsabilidade pública porque o eleitor merece respostas palpáveis, não slides.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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