Especialista em Psicoterapia da CVAMS orienta capacitação dos profissionais na área da saúde mental em S. Vicente

A especialista em Psicoterapia Neusa Araújo, do sub-comité para a Saúde Mental da Sociedade de Médicos Cabo-verdianos nos Estados Unidos (CVAMS), orienta hoje e amanhã, uma ação de capacitação profissional na área da saúde mental, dirigida aos psicólogos e assistentes sociais do ICCA, Comunidade Terapêutica, delegacia de Saúde de S. Vicente, Cadeia da Ribeirinha e do CAPs. Durante dois dias, estes profissionais vão partilhar conhecimentos técnicos e científicos, dialogar entre si e fortalecer a articulação a nível institucional. 

Segundo Neusa Araújo, a formação propoe fortalecer o relacionamento intencional de mudança, através dos parceiros, razão do intercâmbio com estas instituições mindelenses. Disse ainda que a CVAMS tem um modelo “Trauma Informed Care”, que se sustenta no sistema de saúde e na área de saúde mental. “São Vicente, Fogo e Santiago são as ilhas onde pretendemos desenvolver um trabalho contínuo de capacitação destes profissionais, junto com universidades, centros comunitários e outras entidades”.  

Defende que é importante transferir conhecimentos de práticas de cuidados de trauma através de uma lente clínica que vem do coração, que já é feita em Cabo Verde de forma inconsciente. “Estamos aqui apenas para reforçar, para dar aos psicólogos e assistentes sociais na área clínica mais ferramentas”, sublinhou, indicando que o segundo objectivo é entender como S. Vicente e outras ilhas estão a tratar a questão do “Dual Diagnosis”, ou seja, do uso de substâncias em pessoas que já têm diagnósticos de depressão, bipolaridade, distúrbios ou outros problemas de saúde.“A saúde mental é quase 50% da saúde geral. Então, a saúde comportamental integrada baseia-se no “Dual Diagnosis”. Significa que, todos os profissionais – psicólogos, assistentes sociais, médicos e enfermeiros – fazem parte deste modelo.“

Neusa Araújo propõe ainda uma visão inovadora, que é cuidar do cuidador, com amor e movimento, através da terapia do som. Diz esta psicoterapeuta que os próprios profissionais precisam de atenção, tendo em conta que, por causa do seu trabalho, acaba por entrar nas casas e na vida das famílias e das comunidades e traz muitos dos problemas diagnosticados para si. “O trauma vicário é sério. É experienciado pelo profissional. Estamos a falar de stress e outros.  E os profissionais não poderão tratar os pacientes usando o modelo “Trauma Informed care” se não se auto-cuidarem ou sem uma avaliação pessoal.”

Em pauta estão ainda temas como a gestão de crise, o atendimento de pacientes alterados ou mentalmente desregulados, aprendizagem, entre outros. Estão previstas intervenções, a partir dos EUA, de outros dois especialistas. “Estamos aqui para partilhar, para ouvir, e, no final, vamos apresentar um plano estratégico, especificamente para S. Vicente, envolvendo todas as partes”, assegurou. 

Do lado do ICCA, a delegada esclareceu que este encontro surgiu na sequência de um outro realizado no ano passado, junto com a CVAMS, e que correu muito bem. “O nosso objectivo é continuar esta troca de experiência entre profissionais da área de saúde e de ação social. Os trabalhos vão decorrer de forma restrita, mas também aberta ao publico”, frisou Diva Gomes, realçando que este evento representa uma oportunidade para se atualizar com especialistas da área, discutir casos reais e práticas clínicas, fortalecer redes locais e institucionais e construir estratégias sustentáveis para a saúde mental na região. 

“Esperamos sair daqui com mais noção daquilo que é a realidade da ilha de S. Vicente relativamente a essa problemática, mas também com um novo olhar, se calhar muito mais esperançoso daquilo que pode ser a nossa atuação futura.” Em suma, diz Diva Gomes, com um mapeamento da situação e uma estratégia, ter um enriquecimento a nível técnico e científico e adoptar instrumentos de avaliação utilizados nos Estados Unidos, adaptados à realidade cabo-verdiana. 

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