No Brasil, um paciente com cancro terminal chamou os amigos para uma roda de samba para celebrar o seu velório. “Hoje é meu velório”, declarou Tiago Pitthan perante os convidados para esse momento de confraternização, com sentido de despedida. Entre música, histórias e demonstrações de carinho, a celebração foi um convite para falar sobre a vida, não sobre a morte.
O velório em vida do advogado de 49 anos esteve, no entanto, longe de uma despedida marcada pela dor. Em Campo Grande, os abraços foram longos, os sorrisos sinceros e as lágrimas carregavam afeto, não sofrimento. Diagnosticado com cancro de estômago, e sem possibilidade de cura, decidiu compartilhar cada abraço, cada história e cada homenagem enquanto ainda é possível.
Poucas pessoas acordam pensando no próprio velório. Tiago foi diferente. “Foi engraçado porque a gente não acorda normalmente pensando: ‘opa, hoje é dia do meu velório’. Esta sensação é muito maluca”, disse ao jornal G1 antes do início da roda. Conforme o jornal, a palavra “velório” não traduz exatamente o que aconteceu no antigo galpão de uma cervejaria, em Campo Grande. O espaço foi tomado por flores, música e gente disposta a celebrar a trajetória de um homem que se recusou a ser definido pelo cancro.
A história começou durante o réveillon de 2023 para 2024, em Bonito. Durante a ceia, Tiago percebeu que não conseguia se alimentar normalmente. Depois de meses de exames, recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico, um tipo de cancro de estômago. Os médicos descobriram que a doença já havia se espalhado para outras partes do corpo, pelo que já não havia a possibilidade de cura. “Quando recebi o diagnóstico foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo”, disse Tiago, acrescentando: “Decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”
Tiago Pitthan organizou o “velório” no sábado e ainda está vivo.
C/Globo.com
