Droga conhecida como K4 é pulverizada na correspondência, não deixa cor, nem cheiro e é difícil de detectar.
Uma reportagem do Correio da Manhã informa que há uma nova droga a circular nas cadeias portuguesas, que pode ser 80 a 100 vezes mais potente que a canábis natural e que chega aos reclusos na maior parte das vezes pulverizada em “cartas de amor”. Trata-se de uma droga sintética, conhecida como K4, que, segundo a publicação, pode provocar surtos psicóticos, ataques cardíacos e até a morte.
O primeiro caso conhecido pelas autoridades em Portugal foi em 2020, durante a pandemia, e desde aí, diz o jornal, os números não param de aumentar. Isto porque é uma droga bastante difícil de detetar, por não deixar cor ou cheiro nas cartas, o que se está a tornar um pesadelo para o corpo da guarda prisional. “É impossível de ver. Ou o trabalho é mal feito e deixa algumas marcas nas letras e linhas da folha ou então parece uma carta totalmente inofensiva”, contou ao CM Frederico Morais, presidente do sindicato dos Guardas Prisionais.
Por ser difícil de detetar pelos guardas prisionais, os números devem ser muito maiores do que aquelas que são apreendidas. Além disso, o produto encontra-se à venda na internet, diz Maria João Caldeira, chefe do setor de Drogas e Tóxicos do Laboratório científico da Polícia Judiciária. Uma folha A4 impregnada com esta substância, revela o jornal, pode variar entre dois mil a quatro mil euros, dependendo da oferta e da procura. Já um centímetro quadrado pode custar cinco euros. Esta dose, depois de fumada, pode deixar os reclusos totalmente fora de si.
“Eles ficam agitados e muito, mas mesmo, muito agressivos. Agressivos uns com os outros, mas também com os guardas prisionais”, contou Carlos Sousa, guarda prisional. Além disso, existem já casos de reclusos que tiveram alucinações, ataques cardíacos e até mortes associadas a este fenómeno da K4.
Um grande problema é que muitas das substâncias que compõem a K4 escapam ao enquadramento legal em Portugal. E, para existir crime, é necessário que essas substâncias constem nas tabelas anexas da lei da droga. Só que a maioria delas, explica Maria João Caldeira, escapam a esse enquadramento e controlo legal.
Por enquanto, as cadeias portuguesas, conforme a CM.pt, não têm qualquer mecanismo que os ajude a detetar se as cartas que chegam estão ou não contaminadas. Uma das eventuais medidas será fazer a fotocópia das cartas antes de chegarem aos presos.
C/Cmjornal.pt
