Guias de turismo apelam ao Governo para a adotarem medidas urgentes que permitam preparar o país para o esperado aumento do fluxo turístico, impulsionado pela projeção internacional após a participação histórica da Seleção Nacional no Mundial de Futebol de 2026. Defendem estes profissionais que o crescimento do número de visitantes deve ser acompanhado por investimentos em infraestruturas, qualificação dos serviços e melhoria das condições de acolhimento, de forma a garantir que todas as ilhas beneficiem do desenvolvimento turístico.
“Não basta aumentar o número de turistas; é preciso garantir que todas as ilhas tenham condições para se beneficiarem desse crescimento”, afirmou Arnaldo Felisberto, representante dos Guias de Turismo da ilha de São Nicolau. Estes profissionais recordam que a presença de Cabo Verde no Mundial FIFA 2026 originou uma forte exposição mediática internacional, com reportagens, vídeos e publicações nas redes sociais, além de um aumento significativo das pesquisas sobre o arquipélago na internet e do reforço das campanhas promocionais por parte de operadores turísticos e companhias aéreas.
Para Ruben Moreira, presidente dos Guias de Turismo de São Vicente, o país deve concentrar-se agora na qualidade da experiência oferecida aos visitantes. “Num país onde o turismo representa mais de 25% do PIB, é precisamente a nossa responsabilidade preparar o país internamente”, observou.
Entre as preocupações apontadas pelos profissionais estão as deficiências no saneamento básico, a escassez de casas de banho públicas nas zonas turísticas, a manutenção dos contentores de lixo, a presença de cães vadios e as limitações dos transportes interilhas. O presidente da Associação de Guias de Santo Antão, Hetty Fortes, alega que estas questões influenciam a decisão de operadores internacionais na escolha dos destinos e na organização de excursões.
Os representantes defendem igualmente a criação da carteira profissional para os guias de turismo, o reforço da fiscalização da atividade e a definição de um preçário de referência para os serviços prestados. A longo prazo, consideram essencial melhorar a regularidade, previsibilidade e segurança dos transportes aéreos e marítimos, fatores considerados determinantes para aumentar a competitividade do destino Cabo Verde.
Freddy Cardoso, representante dos guias da ilha de Santiago, acrescenta que o país deve investir em aeroportos mais preparados para fenómenos como a bruma seca, melhorar estradas e caminhos vicinais e reforçar a segurança nas praias mais frequentadas, incluindo a presença de nadadores-salvadores.
Entre as propostas apresentadas pelo setor figuram ainda a melhoria da mobilidade interilhas através de transportes regulares, previsíveis e acessíveis; a manutenção dos caminhos vicinais e trilhos turísticos; a criação de um programa nacional de apoio às ilhas de menor procura turística; o reforço da promoção internacional de destinos como São Nicolau, Maio, Brava e Fogo.
A estas propostas juntam ainda o apoio financeiro e técnico aos pequenos operadores turísticos, a valorização do património natural, geológico e cultural, maior articulação entre Governo, autarquias e setor privado e investimento contínuo na formação e qualificação dos guias turísticos.
António Rodrigues da Rosa, representante da Guiantur – Associação Cabo-verdiana de Guias e Animadores Turísticos –, defende ainda a simplificação dos processos de licenciamento das atividades turísticas, o apoio ao planeamento dos pequenos negócios e uma maior valorização da experiência dos guias mais antigos na formação de novos profissionais.
Para Arnaldo Felisberto, o sucesso do turismo não deve ser medido apenas pelo número de visitantes, mas também pela capacidade de gerar oportunidades em todas as ilhas. “O turismo mais equilibrado fortalece as economias locais, cria emprego, ajuda a fixar os jovens e reduz as desigualdades entre ilhas”, conclui.
