Covid-19: “Desamparados”, guias pedem apoio do ministério do Turismo

Os guias turísticos estão a sentir-se desamparados sem qualquer apoio financeiro do ministério do sector, ou do Governo, tal como tem vindo a acontecer com outras classes profissionais afectadas pela pandemia. Segundo Hernany Duarte e Sónia Ferro, desde meados de Março que não sabem o que é trabalhar e facturar, têm despesas pessoais e com as suas empresas e sequer têm a noção de quando a situação pode normalizar.

“A pandemia bloqueou o turismo e a actividade dos guias. Somos uma pedra basilar na economia de Cabo Verde, que apostou no turismo como uma das suas alavancas de desenvolvimento, estamos sem uma fonte de rendimento estes meses por causa da pandemia, e no entanto não merecemos nenhuma atenção especial do ministério ou do Governo”, diz Hernany, 28 anos e quase sete dedicados ao turismo guiado.

A mesma percepção tem a colega Sónia Ferro, 41 anos, para quem a actividade dos guias nunca foi valorizada em Cabo Verde. Sem desmerecer as outras profissões, lembra que são os guias que fazem contacto directo com os turistas e, dependendo da qualidade do seu trabalho, podem estimular um visitante a voltar ou a indicar outra pessoa a conhecer Cabo Verde. No entanto, prossegue, há ainda quem tente estigmatizar o trabalho que fazem comparando-os a cicerones. “Somos muito mais que isso. Estudamos, criamos empresas para exercermos a nossa actividade e vendemos Cabo Verde da melhor forma possível. Muitas vezes somos os primeiros a estimular os investidores”, desabafa Sónia Ferro, guia com 20 anos de experiência.

Em toda a sua carreira nunca esta profissional enfrentou uma falta de perspectiva tão grande. Parada, mas com despesas à espreita, sabe que a sua subsistência está em causa sem a intervenção do Estado. E, pelos sinais que ela e os colegas têm recebido, não está muito esperançada. Segundo ela e Hernany, os guias estabeleceram contacto com o ministério do Turismo mas foram informados que não há verba para ajuda-los nesta crise provocada pela Covid-19 e sem fim a vista.

Estamos esquecidos. Todas as classes estão a beneficiar de subsídios e queríamos também ser contemplados. Não somos melhores que ninguém, mas queremos esse apoio porque somos os que passam por mais dificuldades neste momento”, salienta Hernany.

Pelas suas contas, há neste momento quase mil guias inscritos em Cabo Verde. Como explica, para exercerem são obrigados a constituir empresa e comprovar formação na área. Neste momento, prossegue, só os profissionais do Sal e de Santiago estão reunidos em associação. No caso de S. Vicente iniciaram o processo, mas que ficou pendurado por causa da pandemia. No entanto, os guias resolveram criar um grupo extenso no Messenger, onde falam das suas actividades e trocam ideias, o que acaba por criar um sentimento de união da classe.

Sem um prazo para a retoma do turismo, Hernany e Sónia não sabem como os guias vão poder sobreviver. Sentem que estão num beco sem saída e pedem a ajuda do Estado.

Sair da versão mobile