Ministro da Cultura considera válida a ideia de uma edição do festival Baía das Gatas em homenagem à memória de Vasco Martins

O ministro da Cultura considerou hoje válida a ideia da realização de uma edição do festival Baía das Gatas dedicada à memória do artista Vasco Martins, ícone da cultura cabo-verdiana e fundador desse evento internacional de música, falecido no dia 27 de novembro. Para Augusto Veiga, este “repto” será certamente acolhido pela Câmara de S. Vicente pela ligação histórica do malogrado compositor cabo-verdiano a esse espectáculo nascido no longínquo ano de 1984.

“Estamos a deixar passar esta fase de muita dor e posteriormente vamos delinear em conjunto com a família um conjunto de ações para homenagear e eternizar a memória de Vasco Martins”, disse o governante à reportagem do Mindelinsite durante as cerimónias fúnebres realizadas hoje a partir do meio-dia no Centro Nacional de Artesanato, Artes e Design, na cidade do Mindelo.

Além da edição do festival, Augusto Veiga reconhece também a importância de se preservar e valorizar o monumento Arco erigido por Vasco Martins na praia do Norte da Baía das Gatas, uma porta em pedra rústica voltada para a imensidão do mar e do céu. Um local muito apreciado por esse músico erudito, que serviu inclusivamente de palco de algumas apresentações das suas obras interpretadas em sintetizador, destinadas fundamentalmente ao público amante da natureza.

Estas “propostas” foram bem acolhidas por Rodrigo Martins, irmão do icónico compositor. “Acredito que a CMSV terá a iniciativa de homenagear Vasco Martins no festival, até porque o presidente sempre reconheceu o papel dele no lançamento desse evento, que inicialmente parecia improvável para muita gente, mas que hoje ganhou uma dimensão internacional. O Vasco recebeu muitos convites para participar nesta ou naquela edição, mas às vezes ele recusava. Nas tantas em que ele esteve presente, ele abriu o programa com o seu sintetizador e estilo próprio”, recorda Rodrigo Martins, que gostaria também de ver o Arco preservado por todo o simbolismo que representava para o irmão.

“Vasco tinha uma ligação muito especial com o Norte da Baía. E chegou inclusivamente a dizer aos familiares, a brincar, que gostaria de ser sepultado no cemitério do Norte da Baía. Por isso estamos hoje aqui a concretizar a sua vontade”, frisa Rodrigo Martins, que, conforme as suas palavras, sentiu um enorme vazio com a partida do irmão mais velho. “Um irmão que toda a gente gostava, que tinha sempre palavras amigas e acolhedoras.”

A família, segundo Rodrigo Martins, estava ciente do estado crítico da sua saúde e sabia que ele poderia partir a qualquer momento, um momento que, diz, acabou mesmo assim por abalar a todos. “Felizmente que ele nos deixou um enorme e riquíssimo legado, que pertence a todos os cabo-verdianos”, salienta Rodrigo Martins, para quem os filhos saberão escolher a melhor forma de enaltecer e perpetuar a obra de Vasco Martins.

Segundo o ministro da Cultura, recebeu a notícia da partida de Vasco Martins com muita tristeza. Ele que estava a acompanhar o estado de saúde do artista, que regressou de Portugal para Cabo Verde já bastante debilitado. “O seu estado foi-se deteriorando e infelizmente piorou no último fim-de-semana. Foi uma grande perda para a cultura e a música de Cabo Verde porque partiu um ícone cultural ímpar, que tinha um estilo muito próprio”, sublinha Augusto Veiga, que chegou a conhecer pessoalmente Vasco Martins, pessoa que, diz, tinha um grande senso de humor e que gostava de viver em sintonia com a natureza.

O corpo do malogrado foi velado no pátio interno do CNAD, um centro cultural com o qual teve uma especial ligação. Aliás, na sequência da cerimónia fúnebre foi lançado um CD com uma composição de Vasco Martins inspirada na fachada colorida desse remodelado edifício. De seguida, o corpo será sepultado pelas 16 horas no humilde cemitério do Norte da Baía, a pedido desse eterno compositor de sonoridades celestiais.

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