Edição Liberdade do Festival Mindelact com mais de 40 espetáculos em cinco palcos

A edição liberdade do Festival Internacional de Teatro do Mindelo, que decorre de 3 a 11 de novembro, terá mais 40 espetáculos de países como Cabo Verde, Portugal, Brasil, Espanha e África do Sul, distribuídos por cinco palcos. A programação deste festival, que contempla ainda homenagens póstumas à dois destacados membros desta associação artística e cultural, Daniel Monteiro e Samira Pereira, foi socializada esta manhã no Centro Cultural do Mindelo. 

De acordo com Jeff Hessney, este ano virão companhias teatrais principalmente de Portugal, país mais representado no evento. “Também teremos peças teatrais do Brasil, da África do Sul e Espanha. Gostaria de informar ainda que este ano o nosso palco 2, que se localizava na antiga Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM), hoje denomina-se Palco TriPé, e vai receber todos os espetáculos criados dentro do projecto com o mesmo nome. Trata-se de um projecto entre a Associação Mindelact de S. Vicente, Associação Raiz di Polon de Santiago e Chiquinho da ilha de São Nicolau”, clarifica. 

Este projecto, prossegue, visa a mentoria para apresentação, promoção e circulação de peças teatrais, a par de residências de criação que de pequenos “espetáculos de bolso”. “Todas as peças que vão ser apresentadas no Palco Tripé foram criadas no âmbito deste projecto, que é financiado pelo Instituto Camões, Fundação Gulbenkian e Pro Palop-TL”, reforça, realçando que o palco tradicional continua no Centro Cultural do Mindelo que, como já é habitual, receberá as actuações teatrais de maior envergadura.

A estes dois – CCM e TriPé – junta-se o Palco 3, constituído por diversos espaços alternativos, que terão espetáculos em diferentes horários e incluem as peças de rua e outros. Ainda o Palco 4, que receberá o Ciclo de Contadores de Estórias, no pátio do CCM, e o Palco 5, tradicional extensão Praia, no Centro Cultural Português. “Este ano teremos apenas um workshop no decorrer do festival com o bailarino, coreografo, ator e cantor Djam Negui, que se apresenta no quadro do projecto TriPé. Vamos aproveitar a sua presença para fazer este workshop, que terá uma apresentação final no último dia do Mindelact.”

Jeff Jessney destaca a presença dos artistas cabo-verdianos, sobretudo no Palco 1 no Centro Cultural do Mindelo, designadamente do grupo Raiz di Polon com a peça Coração de Lava, com música e dança baseado na obra de José Luís Tavares (Santiago); Conversa D’dod assinado por Edilson Fortes, espetáculos que teve muito sucesso na sua estreia. Aliás, foi incluído no programa exatamente por isso; e Outra Tempestade, uma peça do Teatro da Garagem em co-produção com o Mindelact. “Queremos realçar aqui que o primeiro espetáculo desta edição 2023 e que faz parte da nossa programação vai aconteceu em um espaço não convencional. Vai ser na garagem do Hotel Las Rochas, no dia 13. Trata-se de uma peça de Fábio Gusmão, num projecto que incluiu atores portugueses e cabo-verdianos. Esta peça homenageia uma figura muito importante para a ilha, Samira Pereira.”  

Zenaida Alfama destacou, por seu turno, a forte presença de mulheres no festival, com espetáculos produzidos e encenados apenas por mulheres, entre os quais a peça “A Faint Patch of Light”, da África do Sul. “Tivemos esta preocupação de ter mais presença feminina no Mindelact. Quanto às oficinas, gostaria de esclarecer que ao longo deste ano tivemos uma série de oficinas dentro do projecto TriPé, inclusive terminamos uma última na semana passada de manipulação de objectos, que foi feito nas escolas para crianças e no Centro Cultural Português. Vamos agora apresentar os resultados destas formações. É por isso que temos apenas um workshops durante esta edição do festival.”

Em jeito de remate, Zenaida Alfama lembrou que a Associação Mindelact em transformação, após a perda de Nhela Monteiro, que será homenageado com uma exposição do artista plástico Yuran Henrique. 

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