A terceira noite da 42.ª edição do Festival Internacional da Baía das Gatas foi marcada por diferentes sonoridades da música cabo-verdiana e africana, desde os ritmos do Carnaval de São Vicente ao rap e à música urbana, terminando com o reggae do costa-marfinense Tiken Jah Fakoly.
A programação arrancou com o tradicional Carnaval do Mindelo, através das actuações de Edson Oliveira, Gai Dias, Anísio Rodrigues e Constantino Cardoso. Os quatro artistas levaram ao palco as músicas que animaram os desfiles dos grupos pelas ruas do Mindelo em homenagem a manifestação cultural de São Vicente.
Anísio Rodrigues, porta-voz do grupo, disse que é uma honra actuar no maior palco de música de Cabo Verde e defendeu uma maior valorização do Carnaval e da sua música. “Vir para a Baía das Gatas é uma forma de valorizar o nosso trabalho, apesar de a música do Carnaval de São Vicente ser tocada durante o ano inteiro”.
Hélio Batalha, que fez a sua estreia a solo no Festival da Baía das Gatas, apresentou temas do seu percurso no rap e na música urbana cabo-verdiana. O rapper interpretou músicas como “Karta D’Alforria”, “Di Cairo a Cabo”, “O Ki Fomi Txiga”, “Dexam Bua” e “Abensuadu”, além de temas do álbum “Testamentu”, lançado em março deste ano.
Para Hélio Batalha, a actuação teve um significado especial por ser a sua primeira participação a solo no festival. “Este teve um sabor especial porque foi um show somente meu. Chegar a São Vicente foi sempre um prazer, porque sou muito bem recebido, os shows são sempre cheios e o pessoal me dá bom carinho”, afirmou.“O rap crioulo já teve um avanço enorme. Hoje os festivais em Cabo Verde estão a abrir portas para os jovens rappers, mas temos que valorizar cada vez mais o rap crioulo, porque é um movimento grande e bonito”, defendeu.
Depois de Hélio Batalha, subiu ao palco Garry, numa actuação que percorreu o kizomba, afro-pop e outras vertentes da música urbana cabo-verdiana. Na sua estreia no festival, o cantor apresentou temas do álbum “100% Mi”, incluindo “Passada” e “À Deriva”, além de “Nha Preta”, interpretada em colaboração com Hélio Batalha.
O espectáculo ficou também marcado por um momento inesperado, quando dois jovens aproveitaram o palco para um pedido de casamento. “Baía foi, sem sombra de dúvidas, uma das maiores emoções que já senti. Segurei para não chorar, algumas vezes chorei, tremi do início até ao fim do show. Não tenho palavras”.
A noite foi encerrada por Tiken Jah Fakoly, que regressou ao palco da Baía das Gatas cerca de duas décadas depois. O músico costa-marfinense, que já tinha actuado em São Vicente em 2002 e 2006, apresentou o seu reggae fortemente ligado às raízes africanas, num repertório marcado pela intervenção social e política.
O 42.º Festival da Baía prossegue hoje com atuação do grupo Black Side, Lizandro Cotxi e MC Cabelinho.
