O cantor Mário Marta, filho de pai guineense e mãe cabo-verdiana, faleceu ontem, 16, em Portugal, no Dia Mundial da Voz. Marta, que se destacou exatamente por ter uma voz autêntica e emotiva, deixa um legado importante na cultura musical de Cabo Verde.
O artista será lembrado como um ser humano humilde, generoso e próximo de todos que com ele conviveram.“A sua partida representa uma perda irreparável para a música, para a cultura nacional e para todos os que tiveram o privilégio de o conhecer”, disse Maju Marta, sublinhando que o seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na música que deixa como herança.
A Sociedade Cabo-verdiana de Música também já veio à público manifestar pesar pelo falecimento do cantor Mário Marta que, afirma, era reconhecido pela sua sensibilidade e dedicação à música cabo-verdiana. “Mário Marta construiu um percurso marcado pelo talento, autenticidade e uma profunda ligação às mornas e coladeiras. Ao longo da sua carreira, conquistou o respeito e a admiração do público, tanto em Cabo Verde como na diáspora, afirmando-se como uma voz singular da nossa cultura”, pontua.
A sua partida, acrescenta, representa uma perda significativa para a música e para o património cultural e Mário Marta será lembrado não apenas pela sua voz inconfundível, mas também pela sua humildade, generosidade e valioso contributo artístico. “A SCM endereça as mais sentidas condolências à família enlutada, aos amigos e a toda a comunidade artística. Descanse em paz, Mário Marta”. A sua voz permanecerá viva na memória da música cabo-verdiana”, lê-se no comunicado da SCM.
Mário Marta nasceu a 30 de agosto de 1972 na Guiné-Bissau e veio para a ilha de São Vicente, aos 4 anos, trazido por uma tia, que o influenciou positivamente no campo da música e da culinária. Retornou a Bissau já adulto e viajou também para Angola e Portugal onde se estabeleceu em definitivo.
A música sempre esteve presente na sua vida mas, a par da música, formou-se em 1993 na área da cozinha e pastelaria, no Instituto Nacional de Formação Turística de Cabo Verde, tendo também desempenhado essa profissão durante muito tempo. A sua primeira experiência musical foi no grupo Shout, onde esteve até 1998, mas passou depois por outros coros de gospel.
Em mais de 20 anos de carreira já pisou vários palcos tendo acompanhado vários artistas em palco como Sara Tavares, Rui Veloso, Mariza, Carminho, Lura, Nancy Vieira e Tito Paris. Nos últimos anos vinha fazendo sobretudo cabo-verdianas. Sentiu, no entanto, necessidade de fazer registos originais dentro da sua música. Surgiu assim, em 2019 os temas Kriol e Aguenta, este último em dueto com Lura.
Em 2020 lançou o seu primeiro álbum a solo “Ser de Luz”, que foi produzido durante a pandemia da covid-19. Aliás, como o mesmo fez questão de frisar, a pandemia acabou por ser “uma salvação” e “uma época boa”.“A pandemia inspirou-me naturalmente. Nessa altura percebi que a música é fundamental e está presente em todos os momentos. Então, acho que a minha relação com a música durante essa quarentena aprofundou-se ainda mais. Até porque nesta altura produzi músicas específicas para sair no álbum,” declarou, ao site Balai por altura da apresentação do álbum em C. Verde.
Mário Marta participou como coro no Festival da Canção 2006, nos temas Alma Nova (5º lugar), interpretado por Lara Afonso, e Durmo Com Pedras Na Cama (4º lugar), defendido por Natalie Insoandé. Voltou a participar no certame em 2008, novamente nos coros, desta vez do tema Cavaleiro da Manhã (8º lugar), que Carluz Belo cantou, descreve o perfil do cantor.
Uma carreira promissora interrompida intempestivamente pela morte. Aos familiares e amigos, o Mindelinsite endereça as mais sentidas condolências.
