A oposição na Câmara de S. Vicente está a leste dos projectos licenciados para o sopé do Fortim e cujas obras determinaram o desgaste e consequente mudança da orografia da rocha situada na Avenida Marginal do Mindelo. Ontem, o vereador António Duarte salientou que o assunto foi suscitado em diversas sessões, mas sem provocar um claro posicionamento do responsável pela área do Urbanismo, neste caso, o autarca Augusto Neves.
Segundo António Duarte, está à vista de todos os resultados da remoção de toneladas de terra e pedregulhos, que continuam amontoados na base da rocha, obras que ditaram inclusivamente o fechamento da via de circulação rodoviária pelo lado mais próximo da mesma, por motivos de segurança. “Nós mesmos, em conversa com o vereador José Carlos, dissemos que seria melhor interditar essa pista para se evitar eventuais acidentes ou catástrofes, o que veio a acontecer”, revela este arquitecto.
Pelas informações que dispõe, estão em curso as edificações de dois grandes empreendimentos em simultâneo no corpo do Fortim. Tendo em conta tamanha intervenção, com uma movimentação “nunca vista de terra” em construções urbanas em São Vicente, António Duarte entende que a execução das obras deveria exigir um estudo antecipado de impacto ambiental. “Estamos a falar, de facto, da modificação por completa da orografia da rocha, certo?! A morfologia daquele terreno foi completamente modificada e continua a sofrer alterações. Na verdade, estamos a falar de um volume de terras movimentadas jamais visto na cidade do Mindelo”, enfatiza o vereador.
Apesar do impacto das escavações, a oposição, segundo este urbanista, não teve acesso a informações sobre os projectos em curso que, diz, deveriam ser do conhecimento de todos os munícipes. Acentua que tudo continua guardado no segredo dos deuses.
Questionado se o PAICV não tem outros canais para apurar informações ou influenciar decisões, António Duarte enfatiza que o partido, através dos vereadores eleitos, fez denúncias e que as instâncias competentes já deveriam ter actuado. “Existem os tribunais, existe a Procuradoria, instâncias estas que já deveriam ter instaurado, pelo menos, um processo de avaliação das peças destes projectos”, frisa Duarte, que lembrou o caso de Monte Sossego, localidade onde a autarquia autorizou a polémica construção de um edifício num lote criado para o efeito, apesar da reação contra dos populares, que tentaram inclusivamente embargar a obra. O trabalho prosseguiu, diz, à revelia daquilo que deveria ser, “teoricamente” um plano detalhado, ou inserido num plano macro. Isto quando, lembra, a cidade do Mindelo ainda espera o seu Plano Director Municipal.
Sobre a intervenção das máquinas no desbaste da rocha do Fortim, com o consequente amontoar de toneladas de terra na Avenida Marginal, António Duarte salienta que, por sorte, não há um histórico de deslizamento de terras em S. Vicente durante as construções. No caso em concreto, este urbanista afirma que não vê grande possibilidades de ocorrer uma derrocada. Admite, no entanto, que persistem riscos associados à escavação e ao acumular de entulhos.
