As autoridades sanitárias cabo-verdianas estão a acompanhar com atenção um possível surto de doença respiratória a bordo do navio de cruzeiro MV/NV Hondius, que já provocou três mortes e deixou pelo menos outras três pessoas doentes. O caso está a ser seguido pela Organização Mundial da Saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, a embarcação entrou nas águas de Cabo Verde no dia 3 de maio, após notificação de entidades sanitárias internacionais sobre a ocorrência de casos graves e óbitos entre passageiros e tripulação. Após avaliação técnica e epidemiológica, afirma, as autoridades nacionais decidiram não autorizar a sua atracação no Porto da Praia.
A decisão, afirma, foi tomada com base no princípio da precaução e em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional, com o objetivo de proteger a saúde pública, sublinha, indicando que o cruzeiro transporta 147 pessoas. Este informa ainda que o cruzeiro transporta 147 pessoas, entre passageiros e tripulação. “Três apresentam sintomas e foram avaliadas por equipas médicas, encontrando-se atualmente em estado clínico estável”, pontua, reforçando que o navio permanece sob vigilância.
A mesma fonte revela ainda que uma equipa multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório, foi destacada para prestar assistência a bordo. Paralelamente, o Hospital Agostinho Neto preparou medidas para eventuais casos que necessitem de cuidados diferenciados. “A situação está a ser gerida em articulação entre a Direção Nacional da Saúde, estruturas locais, o Instituto Nacional de Saúde Pública, autoridades marítimas e portuárias, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo os seus escritórios em Cabo Verde e na região africana, bem como pontos focais do Regulamento Sanitário Internacional e autoridades dos Países Baixos e do Reino Unido”, acrescenta.
A nota diz ainda que as autoridades admitem a possibilidade de evacuação por via aérea, através de avião-ambulância, caso a evolução clínica dos pacientes o justifique. Refere, por outro lado, que, apesar da gravidade do surto a bordo, o Ministério da Saúde assegura que a situação está sob controlo e que não existe, até ao momento, risco para a população em terra.
O MV Hondius, refira-se, partiu de Ushuaia, na Argentina, há cerca de sete semanas. O Marine Traffic identifica a embarcação como um navio de cruzeiro de passageiros com bandeira neerlandesa. Fez escalas na Antártida e no território britânico de Santa Helena antes de ancorar no domingo na cidade da Praia. É operado pela empresa Oceanwide Expeditions.
Quanto ao hantavirus, pode causar uma doença respiratória grave e frequentemente mortal chamada síndrome pulmonar por hantavírus. Ocorre através de contactos com roedores como ratos e ratazanas, sobretudo com a urina, fezes e saliva. A transmissão entre humanos é possível mas rara, informa a OMS.
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