MpD considera “arriscado” Francisco de Carvalho acumular liderança do Governo e a pasta das Finanças

O MpD considera arriscado o Primeiro-ministro Francisco de Carvalho acumular na equipa governativa a pasta das Finanças. Alega que o ministério, sobretudo nos dias actuais, para além da grande complexidade técnica que encerra e intensidade de esforço permanente que exige, é motor do sistema. Deste modo, tem profundo e efetivo impacto na taxa de crescimento da economia, nas receitas do Estado, no rendimento das famílias, no cumprimento de obrigações internacionais assumidas, na estabilidade macro-económica do país, com reflexo acentuado no acesso ao crédito, na paridade fixa do escudo com o Euro e no relacionamento privilegiado com as instituições financeiras parceiras de Cabo Verde.

“Para nós é fundamental assegurar um ótimo nível de desempenho técnico no Ministério das Finanças, gerador de confiança dos investidores e dos parceiros internacionais. E não nos parece que essa função seja compativel com a de coordenar e dirigir toda a atividade governativa”, entende o MpD. Para o partido, juntar a liderança do governo com as Finanças acaba por seu uma “proposta muito arriscada”, com potenciais prejuízos graves para o país.

Em comunicado enviado à imprensa após a apresentação do elenco governamental, o Movimento para a Democracia exprime votos de sucessos aos novos inquilinos do Palácio da Várzea e promete exercer uma oposição em prol do país, ciente de que as promessas eleitorais são para serem cumpridas. Neste aspecto, diz tomar nota que o novo Executivo começou a faltar à palavra dada nas campanhas, exatamente por não respeitar, logo no primeiro dia, algumas das suas mais vincadas promessas eleitorais.

O primeiro ponto, elenca, foi Francisco de Carvalho ter prometido um Governo com um Primeiro-ministro, 11 ministros e 2 secretários de estado e apresentar uma equipa com 15 ministros e 3 secretários. O tão propalado corte nas gorduras do Estado, que tantos votos terá rendido, fica desde logo comprometido. 

O segundo tem a ver com a equidade de género, um tema que, conforme o MpD, foi bastas vezes erigido como valor político essencial para o PAICV, que criticou o MpD de desvalorizar as mulheres. Porém, acrescenta, o Governo composto por Carvalho tem apenas 2 ministras e uma secretária de Estado, com a menor participação feminina numa equipa governativa.

No terceiro ponto, o MpD diz esperar que a “acostumada agressividade e virulência no discurso político de certas individualidades agora chamadas para cargos de governação” não venham a ser repescadas. Pelo contrário, espera antes que haja “contenção verbal e moderação”, pois, na sua visão, o país precisa de tranquilidade e de soluções alinhadas com as fortes promessas eleitorais, com prazos marcados de concretização, e não de crispação política permanente que só serve para inibir os cidadãos da necessária participação política.

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