O ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional e da Defesa, Manuel Amante da Rosa, anunciou esta sexta-feira, 31, que o Governo vai suspender a operação da aeronave King Air 360ER, devido aos elevados custos de manutenção. O governante garantiu igualmente que vai proceder à substituição de vários embaixadores para imprimir uma nova dinâmica à diplomacia cabo-verdiana.
As declarações foram feitas durante o debate parlamentar sobre o Estado da Nação. O governante começou por classificar o processo de aquisição e gestão da aeronave como “um negócio muito lesivo ao Estado de Cabo Verde”. Segundo explicou o ministro, o King Air 360ER foi adquirido por mais de 22 milhões de dólares, mas sofreu um incidente grave logo no primeiro dia de operação, em abril de 2025, durante um voo de treino, que provocou danos num motor e numa hélice.
Manuel Amante da Rosa afirmou que o Estado de Cabo Verde suporta atualmente cerca de 190 mil contos em contratos de manutenção da aeronave, um encargo que considerou incomportável. “O Estado de Cabo Verde não tem como continuar com estes encargos financeiros”, declarou, acrescentando que a solução encontrada passa por devolver os motores atualmente alugados e suspender a operação do avião até que toda a situação seja devidamente esclarecida.
O ministro revelou ainda que os dois motores originais da aeronave estão em reparação, um no Canadá e outro na África do Sul, salientando que o Governo não dispõe de condições financeiras para continuar a suportar os custos do aluguer de motores de substituição. Aproveitou para anunciar, durante a sua intervenção, que o Executivo vai remeter à Procuradoria-Geral da República vários processos relacionados com a gestão do setor da Defesa.
Entre os dossiês, Amanda da Rosa destacou o processo referente à venda da aeronave Dornier 228 e de património do Estado, por considerar que subsistem dúvidas que devem ser esclarecidas pelas autoridades competentes. No domínio da política externa, o ministro confirmou que o Governo vai substituir vários embaixadores, justificando a decisão com a necessidade de reforçar a ação diplomática e adequar os perfis dos chefes de missão aos desafios atuais.
Disse o ministro que o Executivo encontrou importantes representações diplomáticas “anos paralisadas” e sem orientação política, apontando como exemplos as embaixadas de Cabo Verde nos Estados Unidos, em Bruxelas, Lisboa e Berlim. Revelou que já existe entendimento entre o Governo, o Primeiro-ministro e o Presidente da República para a nomeação de novos embaixadores para os postos estratégicos e promover o regresso ao país de diplomatas que permanecem há muitos anos colocados no exterior. “Mais do que preencher vagas, estamos a redefinir o perfil de cada embaixada, segmentando as prevalências económica, consular e política”, afirmou, sublinhando que o objetivo é dispor de “embaixadores focados em resultados e na captação de investimentos”.
O governante reconheceu ainda que o Ministério dos Negócios Estrangeiros enfrenta limitações ao nível dos recursos humanos, indicando que cerca de 70 por cento dos diplomatas cabo-verdianos se encontram destacados no exterior, situação que, segundo disse, condiciona o funcionamento dos serviços centrais.
