A UCID defendeu hoje que o debate sobre o Estado da Nação, agendado para a próxima sexta-feira, 31 de julho, deve ir além da apresentação de indicadores macro-económicos e centrar-se na procura de soluções concretas para responder aos principais problemas que afetam os cabo-verdianos. Estas informações foram avançadas pela deputada democrata-cristã eleita por S. Vicente, Zilda Oliveira, na antevisão desta sessão, considerada peculiar por ser realizada pelo novo Governo em funções, embora o Estado da Nação diga respeito ao último ano da governação anterior.
A deputado começou por reconhecer os progressos registados pelo país, mas advertiu que o crescimento económico, o aumento do turismo ou outros indicadores estatísticos não refletem, por si só, a realidade vivida pelas famílias. Segundo Zilda, o verdadeiro Estado da Nação mede-se pela qualidade de vida da população, pelo poder de compra, pelas oportunidades para os jovens, pelo acesso à saúde e à educação e pela redução das desigualdades entre as ilhas.
“Vamos apresentar duas notas prementes e que já havíamos trazido em 2025, a quando da antevisão do Estado da Nação e que consideramos essenciais para o desenvolvimento do país. A primeira é que precisamos melhorar a integração das políticas públicas”, frisou, defendendo que áreas como habitação, educação, saúde, transportes e emprego devem funcionar de forma articulada. A segunda, afirmou esta eleita nacional, aposta na criação de políticas de Estado, sustentadas em consensos nacionais, para garantir continuidade às reformas estruturantes independentemente das mudanças de governo.
Apesar de destacar o crescimento económico de 6,3% registado em 2025 e o recorde de 1,25 milhões de turistas, esta porta-voz da UCID alerta para a excessiva dependência da economia em relação ao turismo, concentrado sobretudo nas ilhas do Sal e da Boa Vista e muito dependente do mercado europeu. “O país atingiu um recorde histórico de 1,25 milhões de turistas no final de 2025. O emprego direto e indireto associado ao turismo representa 22% da força de trabalho nacional”, detalhou, citando no entanto o Banco Mundial, que critica o facto do turismo dominar a economia.
Educação, Juventude e Saúde
Para a UCID, a educação emerge como o principal desafio não apenas para garantir o acesso à escola, mas sim para assegurar melhores resultados de aprendizagem e uma maior ligação entre a formação e as necessidades do mercado de trabalho. A situação da juventude, diz Zilda Oliveira, também mereceu destaque. O partido manifestou preocupação com o desemprego jovem, o elevado nível de informalidade laboral e a crescente intenção de emigrar por falta de oportunidades, defendendo políticas que criem emprego qualificado e perspectivas de futuro para os jovens cabo-verdianos.
Na saúde, a deputada reconheceu melhorias em alguns indicadores, mas considerou necessário reforçar a descentralização dos serviços, investir na qualidade dos cuidados e dar maior atenção à saúde mental e às doenças não transmissíveis. Quanto à segurança, a UCID reconheceu a redução de alguns indicadores da criminalidade, mas defendeu o reforço do policiamento de proximidade, da investigação criminal e das políticas de prevenção social. “O transporte aéreo doméstico tem atuado como um obstáculo estrutural, consumindo frequentemente mais valor económico do que gera. A fraca conectividade tem condicionado o desenvolvimento equilibrado do território”, frisa, sublinhando que em vários sectores parece haver um distanciamento entre os discursos e a concretização das politicas e estratégias.
Orçamento retificativo
Questionada sobre o orçamento retificativo que deverá dar entrada na Assembleia Nacional em regime de urgência, a deputada da UCID afirmou que fará uma análise com “sentido de Estado”. Esta diz reconhecer medidas socialmente relevantes, como o alívio dos custos da energia e o reforço das políticas sociais, mas manifestou reservas quanto à introdução de reformas permanentes através de um orçamento retificativo, apontando falta de estudos de impacto, insuficiente detalhe técnico e necessidade de maior transparência. Apesar disso, afirma que a posição final do partido sobre o sentido de voto só será anunciada após o debate.
Durante a conferência de imprensa, Zilda Oliveira voltou também a defender a criação de um espaço definitivo para acolher a Feira Internacional de Cabo Verde (FIC) em São Vicente. Reconheceu que o anterior Governo falhou ao não concretizar a promessa de construir uma nova infraestrutura e defendeu que o novo executivo deve tratar o projeto como prioridade, por considerar que a feira representa uma importante oportunidade de dinamização económica para a ilha.
Relativamente às propostas de localização, a deputada da UCID mostrou-se favorável à construção de uma infraestrutura de raiz, admitindo que a zona do Lazareto poderá ser uma solução, embora considere necessário estudar cuidadosamente as diferentes alternativas antes da decisão final.
