O Banco de Cabo Verde recebeu 278 reclamações dos consumidores financeiros em 2025, das quais 245 relacionadas com o setor bancário e 33 com o setor segurador, segundo o Relatório de Supervisão Comportamental divulgado na segunda-feira pela instituição. O BCA concentrou 49% das reclamações sobre matérias da competência do BCV, seguido do BI, com 19%, e da CECV, com 16%.
De acordo com o relatório, a atuação do BCV incidiu sobre a proteção dos consumidores financeiros, a promoção da transparência, o cumprimento dos deveres de conduta e o reforço da confiança no sistema financeiro nacional, abrangendo o tratamento de reclamações, a análise de preçários, o acompanhamento da comunicação comercial, a correção de desconformidades e a promoção da educação financeira.“Recebeu 278 reclamações, das quais 245 relativas ao setor bancário e 33 ao setor segurador, correspondendo a uma média mensal de cerca de 23 reclamações”, lê-se no relatório, que realça ainda que o sector bancário foi a principal origem das reclamações, que se traduziram em 88 por cento do total e um aumento de 11,87 por cento face a 2024.
Também no setor segurador, diz, as reclamações aumentaram 26,92%, passando de 26 para 33 no mesmo período. Já no sector bancário, sublinha, as principais reclamações estiveram relacionadas com contas bancárias, fraude, crédito ao consumo, internet banking, cartões de débito e crédito à habitação. “A categoria “Conta Bancária” foi a mais reclamada, com 61 ocorrências, enquanto a categoria “Fraude” assumiu especial relevância, com 25 reclamações e um crescimento de 150 por cento face ao ano anterior, refletindo os desafios associados à crescente digitalização dos serviços financeiros e à segurança dos canais digitais”.
O Banco Central esclarece que, no que tange às reclamações sobre a sua competência, o BCA registou o maior número de reclamações, com 49% do total, seguido do BI com 19% e da CECV com 16%. Informa ainda que, no âmbito da supervisão, analisou nove propostas de alteração de preçários e adotou 25 medidas de supervisão, incluindo 15 recomendações e 10 determinações para corrigir desconformidades e reforçar o cumprimento dos deveres de conduta.
“O acompanhamento das reclamações permitiu ainda assegurar a restituição de 3.154.582 escudos aos consumidores financeiros, evidenciando o papel deste mecanismo enquanto instrumento efetivo de proteção dos clientes”, pontua. Já na área da educação financeira, indica, desenvolveu iniciativas como a Global Money Week, a Semana da Poupança e o projeto “Educação Financeira Fácil para Todos”, que abrangeram 879 participantes entre crianças, jovens e adultos.
Para esta instituição, os resultados de 2025 reforçam a importância da supervisão comportamental na promoção de um sistema financeiro mais transparente e orientado para a proteção dos consumidores, num contexto de crescente digitalização e de novos riscos associados, sobretudo, à fraude e à utilização dos canais digitais.
