Chuvas em S. Vicente: OMCV já entregou cerca de 350 cestas básicas e 166 kits de higiene e limpeza

A OMCV – São Vicente entregou até sexta-feira 343 cestas básicas e 166 kits de higiene às famílias afetadas pelas fortes chuvas de 11 de agosto, que provocaram nove mortes, dois desaparecidos e prejuízos de valor incalculável. Esta organização não governamental, que já tem um histórico de trabalhar com famílias desfavorecidas, diz a delegada Fátima Balbina, viu as suas responsabilidades aumentadas com a intempérie e ainda está no terreno, agora apoiando as famílias que perderam tudo na aquisição de mobiliário para equipar as casas e também com materiais escolares para o retorno às aulas. 

Em entrevista ao Mindelinsite, a delegada da OMCV-São Vicente explicou que a organização está a trabalhar em permanência desde o dia 12, após a divulgação de um apelo na sua página nas suas redes sociais. Afirma que a ong já trabalha, diretamente, com mais de 500 famílias de painéis solares e a preocupação imediata era chegar nestes seus “protegidos”. “Num primeiro momento, fizemos contacto com estas famílias via telefone porque era difícil circular e, depois, pessoalmente. Pudemos constatar que a maioria estava em apuros e fizemos um levantamento das necessidades imediatas”, descreve.

A surpresa positiva é que, enquanto o restante da ilha estava sem fornecimento de energia elétrica, pontua, as famílias beneficiárias do projeto “Luz para as meninas” tinham luz em casa. “A nossa primeira intervenção junto destas famílias – muitas já estavam nos centros de acolhimento ou alojadas em casas de parentes ou amigos – foi a nível da segurança alimentar, ou seja, fizemos chegar até elas cestas básicas e kits de higiene individuais, contendo pasta de dente, escova, pensos, sabão e sabonete, papel higiene, lixívia e teepol.”

Para concretizar estes apoios, Fátima Balbina informa que a OMCV recebeu um contentor de donativos de munícipes da Praia, através da Câmara Municipal. “O contentor tinha vários produtos, desde alimentos, roupas e calçados e foram distribuídos por seis associações comunitárias, nomeadamente da Ribeira Bote, Ponta d’ Pom, Simili, Adeco e Intaentas de Fonte Filipe, tendo a OMCV como ponto focal para fazer esta partilha”, revelou, aproveitando para agradecer ao edil da Praia e sua equipa pelo gesto solidário. 

Numa segunda fase, prossegue, a OMCV iniciou a distribuição de água para beber e para o consumo, sendo que para o efeito contou com forte apoio da sua congénere da Ribeira Grande, que disponibilizou uma viatura Toyota à organização.  “O carro veio de Santo Antão carregado com água potável, que foi distribuído, e ainda permanece na ilha. Tem nos ajudado imenso a levar água às comunidades. Foi um gesto de louvar da OMCV-Ribeira Grande e só temos a agradecer à delegada Carlina Gonçalves”

Fase mais complexa 

Agora, de acordo com esta responsável, chegaram a uma nova fase, mais difícil e importante porque as famílias começam a retornar à casa e muitas delas não sabem como vão ficar. Segundo Balbina, o Estado de Cabo Verde afirma ter 312 habitações disponíveis, mas o número de famílias cujas casas sofreram danos significativos ou estão em zonas de risco é muito superior. “Para além das famílias alojadas nos centros de acolhimento, sabemos que há muitas pessoas que estão em casas de familiares ou amigos. Para se ter uma ideia, estivemos em algumas casas que têm mais de 20 pessoas”

Quanto ao valor monetário, também disponibilizado pelo Estado para ajudar as famílias, lembra que muitas estão à procura de casas para arrendar, mas não têm o básico para equipar estas habitações. “Felizmente, conseguimos algumas doações em dinheiro na nossa conta bancária, seja a título individual ou instituições. Foi com este dinheiro que compramos produtos para o kit de higiene, as cestas básicas e água. Mas ainda resta algum valor que vamos utilizar para comprar colchões, fogões. Não é muito, mas se conseguirmos contemplar dez famílias, para nós já é muito bom.” 

Em termos de materiais escolares, Fátima Balbina garante que a OMCV tem neste momento contentores em viagem dos Estados Unidos, Portugal, França e Holanda, mas teme que estes não cheguem a tempo, tendo em conta o arranque do ano lectivo no próximo dia 15 de setembro. Por isso, a ong já lançou uma campanha de recolha de alguns materiais, em especial mochilas, cadernos e canetas para que os alunos não cheguem de mão a abanar na sala de aula.

Mas, para que tudo isso fosse possível, Fátima Balbina diz que a OMCV contou com ajuda de vários parceiros, com destaque para a Agência Pura Vida, a Prolar, o Iton, e muitas pessoas individuais e outros que preferem o anonimato. A delegada desta organização destaca, igualmente, os trabalhos dos voluntários, sem os quais não teria sido possível fazer a recolha dos donativos, identificação das famílias afectadas, a divisão e distribuição dos produtos. 

Os agradecimentos extensivos à comunicação social que, frisa, permitiu à OMCV lançar o seu apelo e conseguir as ajudas que precisava. 

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