O multimilionário Mark Zuckerberg vai passar a interagir com os quase 80 mil funcionário do grupo Meta de forma permanente e directa. Na verdade, essa comunicação será feita por um “clone digital” do dono das redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, que estará operacional até ao final de 2026. Quando estiver “online”, qualquer trabalhador pode falar com o Zuckerberg virtual com um simples clic. O mesmo terá não só a voz como os maneirismos da pessoa real. Esse avatar estará munido de informações, como a estratégia da companhia, e, segundo os criadores, será capaz de dar respostas e até apoio motivacional, se for preciso.
A informação, revela o Dn.pt, foi avançada esta semana pelo Financial Times e pelo portal The Next Web, segundo os quais o desenvolvimento deste avatar está a cargo da Superintelligence Labs (MSL), uma divisão de elite da Meta, que opera com um orçamento estimado de 15 mil milhões de dólares. “E, ao contrário dos chatbots rudimentares do passado, este clone utiliza o modelo Muse Spark, uma evolução da arquitetura Llama (a IA em open source da Meta) focada naquilo que eles chamam ‘multimodalidade nativa’ – o sistema está desenhado para elaborar várias tarefas em simultâneo”, complementa o jornal electrónico português.
Para criar o “patrão digital”, acrescenta, foi necessário superar o grande desafio técnico da latência. “Para que uma conversa pareça real, a IA precisa de processar visão, áudio e semântica em milissegundos, mesmo que o utilizador esteja a milhares de quilómetros dos servidores que estão a processar a informação”, esclarece. Quanto a este aspecto, a Superintelligence Labs afirma ter conseguido eliminar os atrasos percetíveis, permitindo que o avatar reaja a expressões faciais do funcionário em tempo real.
O próprio Zuckerberg envolveu-se de corpo e alma no projecto e terá passado entre cinco a dez horas por semana a escrever códigos e a participar em sessões de revisão técnica, para garantir que o seu “eu digital” venha a replicar fielmente a sua forma de raciocinar sobre o futuro da Inteligência Artificial.
O resultado final – a ser posto à prova no mundo real até ao fim do ano – é distinto do chamado “Agente de CEO”, uma ferramenta de produtividade privada que Zuckerberg usa para resumir reuniões e comprimir camadas de gestão. O clone estará disponível para todos os funcionários da empresa e focado na cultura da companhia.
