Um cachalote-pigmeu deu à costa ontem à tarde na praia do Lazareto com várias escoriações e feridas, algumas compatíveis com o contacto e arrastamento do corpo sobre as rochas durante o arrojamento. O caso foi comunicado ao médico-veterinário Salvador Mascarenhas, que identificou a espécie após exame de necropsia, usado para determinar a causa da morte e o registro de lesões.
Segundo Mascarenhas, o cachalote macho adulto apresentava ainda lesões profundas, cuja natureza leva-lhe a considerar a possibilidade de o animal ter sofrido um traumatismo anterior ao arrojamento. Coloca no rol de hipóteses uma eventual colisão com um barco.
“Segundo as informações que nos foram transmitidas, o animal tinha sido anteriormente avistado pela Polícia Marítima nas proximidades do Terminal de Cruzeiros, apresentando já dificuldades. Terá sido feita uma tentativa de o encaminhar novamente para águas mais profundas. Posteriormente surgiu um cetáceo arrojado no Lazareto”, revela o veterinário cabo-verdiano, que coloca a hipótese de se tratar do mesmo cachalote.
Na necropsia foi ainda observado um edema pulmonar muito acentuado, segundo a citada fonte. “O estômago continha alimento, sobretudo restos de cefalópodes, incluindo lulas, demonstrando que o animal se tinha alimentado num período relativamente recente”, acrescenta. Foram igualmente encontrados parasitas gastrointestinais, um achado que, isoladamente, não permite atribuir-lhes responsabilidade pela morte.
Para Salvador Mascarenhas, o animal apresentava uma condição corporal razoável e alimentação recente. Reforça que as lesões traumáticas levantam uma suspeita relevante de que possa ter ocorrido uma interação ou colisão com um barco antes do arrojamento. Frisa, no entanto, que não dispõe ainda de elementos suficientes para afirmar definitivamente que uma colisão foi a causa da morte.
