Um olhar as Aldeias – Santo Antão – Cabo Verde 

Vamos descobrir Pinhão, uma das belas localidades do Concelho da Ribeira Grande.

Daniel Miranda 

A Localização – Pinhão fica situada no dorso de uma montanha, um autêntico “miradouro”, que pertence a Freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Cidade da Ribeira Grande. Tem uma população cerca de 600 pessoas; noutros tempos oscilava mais de 800 almas.

Começa no litoral, entre Tarrafal de Ribeira Grande e Mão-pa-Trás e termina unindo os Cabeços de Paul e Ribeira da Torre. É uma zona denominada – Costa Leste, constituída pela as localidades de Chã das Furnas, Lombo Branco, Matim, Monte Joana e na qual se inclui Pinhão.

O acesso é feito pela estrada já antiga (que carece obras de requalificação), cujo início, se faz um entroncamento com a estada da Ribeira Grande- Paul, conhecida por Boca de Pinhão, passando pela Boqueirão, até o término em Ribeira de Esmalhada; depois, é continuar a caminhada a pé, até aos povoados mais distante.

Porém, essa estrada, nos períodos chuvosos, as águas pluviais por vezes causam estragos, por não possuir sarjetas e aquedutos para escoamento dessas águas, e, por esses motivos, impedem a normal circulação tanto de veículos como dos transeuntes.

Na direção de quem sobe, há vários trilhos: para a Mão-pa-Trás e a de Monte Joana, ficam na margem esquerda; e à direita, são três: um para o cemitério em Alto São Miguel que pode ser feita em viaturas; e as restantes de boqueirão de cima à Lombo Manuel Afonso e para descida de Manuel Luís à Ribeira da Torre; por último, Gretão, atualmente pouco utilizado para chã de Arroz.

Aliás, a maioria dos trilhos são de escarpas, tanto para descer ou para subir que quase corta respiração a qualquer pessoa. Esses trilhos há cerca cinquenta anos nunca tiveram qualquer manutenção.

As Infraestruturas – A localidade de Pinhão, possui algumas infraestruturas: rede elétrica pública e de domicílio, cobertura de telecomunicações, um Posto de Ensino Básico, este construído no início da década de 1960 (inserido no projecto da rede de escolas periféricas do concelho pelo então Administrador (João Serra) e ampliado depois de 1975 e um Posto Sanitário mais recente na zona de Cruz.

Ainda nessa mesma década de 1960, ou seja, nos finais de sessenta e inicio de setenta, o então Administrador, Minite Oliveira, que desencravara várias localidades, construindo estradas, na qual se insere Pinhão, o que não teve a mesma sorte à vizinha, Monte Joana.

E, nesse lapso de tempo (há quase 50 anos), tem tido promessas de continuidade – dessa estrada que parou em Ribeira de Esmalhada -, que seria construída até Pinhão de Cima, pelo menos até Cidreira – para facilitar a mobilidade das pessoas – que posteriormente seria mais prolongada, assim que fosse possível, para facilitar o escoamento dos produtos agrícolas, porque o custo de transporte até Cruz é muito oneroso, devido a escassez de meios para os transportar.

Porém, a prometida ligação de Pinhão para Monte Joana, até a data não foi concretizada, apesar do antigo Edil Municipal de ter garantido a existência do Projeto numa das visitas Governamental, frisou um dos moradores.

Para frequentar o Ensino Secundário, os jovens têm que se deslocar em veículos à Cidade de Ribeira Grande em Povoação e tem de sair bem cedo de casa, de manhã – para aqueles que residam para além do termino da estrada – para apanhar o transporte em Cruz, e, regressam depois das 16 horas, até cruz e por fim, galgando a subida a pé, até as suas residências.

Uma mãe em termos de desabafo, nos confidenciou as suas dificuldades económicas em suportas as despesas escolares dos filhos visto que as estiagens são frequentes.

A Produção local – É uma localidade muito produtiva, dado ao bom microclima na montanha com nuvens as vezes matinais ou noturnos.

Apesar de altitude há alguns espaços de regadio, nomeadamente, em estreito, as pedras, quite e ramela, com alguma produção fantástica: cana-de-açúcar, inhame, mandioca e banana. E, no sequeiro produz, café, laranja, batata-doce, batata comum, diversos tipos de cereais, nomeadamente feijão, milho etc.; mas nos bons anos agrícolas, o problema é a colocação desses produtos em noutras ilhas.

Investimento – Há sinais de algum investimento (ainda tímido devido as más condições de estrada) no âmbito privado (…), há um hotel com algum emprego, cerca de seis pessoas, cuja a finalidade é proporcionar os migrantes e turistas bons momentos nas suas visitas. E não podemos esquecer, de referir de uma boa gastronomia que faz parte da cultura e tradição, bem como a boa convivência e o sossego entre a população e o visitante, bem como a brisa suave que vem do mar.

É um local muito apreciado tanto pelos turistas ou de qualquer visitante, dado as suas condições naturais, privilegiado pela sua altitude, do clima e de uma vasta visão paisagísticas de várias localidades: entre outras, há de ressaltar a de Ribeira da Torre, Corda, Ribeira Grande, Ponta do Sol e o momento fantástico de ver o sol a opor-se no infinito horizonte.

Sair da versão mobile