Quénia: Líder de seita, autoproclamado “porta-voz de Jesus”, considerado culpado pela morte de 190 crianças e um adulto

Paul Mackenzie, líder de uma seita apocalíptica, foi considerado culpado pelo assassinato de 191 pessoas por um tribunal do Quénia.  Exceptuando uma pessoa, todas as outras vítimas eram crianças, que, conforme o apurado, morreram principalmente de fome. O pastor ordenou que os membros da sua seita deixassem seus filhos passarem fome até a morte, para poderem “encontrar Jesus”.

Outros 28 líderes da congregação também foram condenados pela juíza Diana Mochache por assassinato. Todos alegaram inocência e afirmaram durante o julgamento que ninguém foi forçado a morrer.

Uma testemunha declarou na audiência que uma mulher grávida foi proibida de amamentar seu bebê recém-nascido, que morreu 12 dias depois. Conta que a referida mulher foi também instruída a jejuar até a morte para seguir seus filhos.

Ao emitir seu julgamento por oito horas na cidade portuária de Mombasa, a juíza realçou que os seguidores de Mackenzie acreditavam que ele fosse “porta-voz de Jesus”. Um dos acusados declarou que Mackenzie chegou a dizer aos seus seguidores que qualquer pessoa que resistisse à ordem de jejuar deveria ser forçada a “ir para o céu” com socos e pontapés.

Os corpos foram sepultados no interior da floresta onde ficava a seita, actos que eram chamados de “casamentos”. Os mortos “eram homenageados como tendo se casado com Jesus”, segundo a magistrada.

Mackenzie foi preso em 2023, após a descoberta de mais de 400 corpos em covas rasas na floresta de Shakahola, perto do litoral queniano, onde ele liderava seus seguidores de todo o país.

Enos Amanya Ngala, ex-chefe de segurança de Mackenzie, foi inicialmente acusado, mas fez um acordo de confissão e se tornou testemunha da acusação. A sentença deve ser proferida no dia 6 de novembro. Os culpados podem apanhar prisão perpétua.

C/ Rfi.fr e Globo.com

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