Justiça norte-americana acusa Raul Castro de assassinato de cidadãos da USA em 1996 e gera mais tensão sobre Cuba

Os Estados Unidos da América querem julgar o ex-Presidente cubano Raul Castro por alegados crimes cometidos contra cidadãos norte-americanos em 1996, quando desempenhava o cargo de ministro da Defesa no governo do seu irmão Fidel Castro. Ontem, dia 20, a Justiça norte-americano proferiu a acusação contra o ex-governante de 94 anos e, de acordo com os autos, o processo está relacionado com quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um delito de conspiração para matar cidadãos americanos.

Conforme a imprensa internacional, as acusações são relativas a um episódio ocorrido em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões civis foram derrubados pela força aérea cubana. As aeronaves pertenciam ao grupo Brothers to the Rescue (“Irmãos ao Resgate”), formado por cubanos anticastristas exilados nos EUA. Os quatro tripulantes morreram, três deles cidadãos americanos.

A acusação levanta temores de uma ação militar americana semelhante à que sequestrou o então líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e o levou a Nova York para ser julgado por um tribunal dos EUA. Caso Raúl Castro seja julgado e sentenciado poderá incorrer à pena de morte ou prisão perpétua pelos crimes de homicídio, conspiração para matar cidadãos norte-americanos e destruição de aeronaves.

Na época dos acontecimentos, o Brothers to the Rescue estava sediado principalmente em Miami e realizava voos para localizar cubanos no Caribe que tentavam deixar a ilha em embarcações precárias. Isso porque, nos anos 1990, após o fim da União Soviética, Cuba ficou mergulhada em uma crise económica e milhares de cubanos tentaram deixar o país rumo aos EUA em travessias pelo mar, segundo o The New York Times. Mas, depois que acordos migratórios entre EUA e Cuba passaram a determinar a devolução de cubanos encontrados no mar, as ações do grupo mudaram de foco. Segundo o jornal americano, a organização passou a desafiar o governo de Fidel Castro com voos sobre Cuba e até com lançamentos de panfletos sobre a ilha.

De acordo com o governo cubano, os aviões foram abatidos porque violaram o espaço aéreo do país. Já a Organização da Aviação Civil Internacional afirmou que o ataque ocorreu em águas internacionais, sobre o Estreito da Flórida. As famílias das vítimas processaram o governo cubano na Justiça americana e, em 1997, receberam uma indenização de US$ 187,6 milhões. Parte do valor foi paga com ativos cubanos congelados pelo Tesouro dos EUA, segundo o jornal norte-americano.

Pressão sobre a ilha

Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos vêm pressionando o governo cubano a implementar reformas profundas em seu sistema económico e regime político. O governo de Havana rejeita as exigências e argumenta com a soberania nacional. Para intensificar a pressão sobre a ilha, Washington impôs, desde então, um embargo petrolífero que exacerbou a crise energética que Cuba já enfrentava. A isso somou-se a ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que amplia as sanções económicas, financeiras e comerciais em vigor há mais de seis décadas.

Outras cinco pessoas foram denunciadas pelos mesmos crimes: Lorenzo Alberto Pérez Pérez, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga e Raúl Simanca Cárdenas.

C/Globo.com

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