Gunter Pauli lança livro sobre oportunidades e futuras novas economias de Cabo Verde

O livro “Surreal Cabo Verde”, da autoria do professor Gunter Pauli, fundador do conceito da Economia Azul, foi apresentado na terça-feira num dos hotéis da Praia. A obra é fruto de viagens realizadas pelas ilhas e de encontros com agricultores, cientistas, empresários e lideres comunitários e contém propostas para valorizar o potencial marítimo de Cabo Verde, visto pelo autor como um centro estratégico, cultural, ecológico e geopolítico do Atlântico. 

O lançamento do livro foi antecipado pelo Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, na apresentação do projecto e lançamento do concurso internacional  para execução da obra de expansão e modernização do Porto Grande. A obra, disse, o Chefe de Estado, resulta de uma contratualização com Cabo Verde relativo à estratégia da economia azul, na perspetiva de desenvolvimento da economia, desde a microeconomia à média e grande economia, aproveitando muitos dos recursos e valências que não estão visíveis à vista desarmada e que podem criar uma linha de desenvolvimento e de cadeias de valores muito elevados. 

Durante a concepção do livro, explicou, Gunter Pauli visitou todas as ilhas para fazer um levantamento e identificar as suas potencialidades. “O livro, hoje em inglês, claro, para poder entrar no mercado internacional. É essa a perspectiva, darmos elementos de política fortes em outros componentes, que não só infraestruturas. É desenvolver a economia, com base na economia azul e potenciais que temos em todas as nossas ilhas. O livro é um grande instrumento que temos para lançar, ligado a um nome internacionalmente relevante, que está em todos os parques internacionais. É uma grande promoção de Cabo Verde, criar riqueza, emprego, rendimento e dinamizar a economia”, assegurou. 

Estas afirmações do PM foram reforçadas, à margem da apresentação deste livro sobre as futuras novas economias em Cabo Verde. Explicou o interesse demonstrado por Pauli em conhecer as ilhas e identificar políticas públicas capazes de transformar os recursos naturais em riqueza sustentável. Correia e Silva argumentou que o país é “mais mar do que terra”, o que coloca grandes desafios, sobretudo na valorização dos recursos marítimos. “O mar deve ser explorado com sustentabilidade, preservando o ecossistema e valorizando os recursos existentes”, escreve a Inforpress, citando o Chefe do executivo, indicando que a obra apresenta um conjunto de propostas orientadas para a transformação estrutural da economia cabo-verdiana, com enfoque na inovação, sustentabilidade e aproveitamento integral dos recursos marinhos.

Segundo esta fonte, confrontado com a possibilidade de Cabo Verde produzir hidrogénio a partir do mar, Gunter Pauli admitiu que é “perfeitamente fazível” através da transformação da energia da ondulação do mar neste produto para abastecer os barcos que transitam no Atlântico. Revelou que estudos revelam que o arquipélago tem capacidade para, em dez anos, produzir 100 mil toneladas de hidrogênio, o que, reforçou, converteria Cabo Verde no maior produtor do mundo de hidrogênio ao redor do Atlântico.

“Quero liderar, com um grupo de Cabo Verde, uma delegação para falar com as grandes linhas marítimas do mundo, para que Cabo Verde seja essa base de distribuição de hidrogénio no Atlântico, manifestou o considerado pai da economia azul”, frisou Gunter Pauli, acrescentando que é fácil conseguir financiamento para este tipo de projecto, havendo um mercado organizado.

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