BCV, em parceria com o Banco de Portugal, lança caderno de educação financeira na vertente do crioulo de Santiago

O Banco de Cabo Verde lançou o primeiro caderno de educação financeira em crioulo, vertente da ilha Santiago, numa cerimónia presidida pelo Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva. A iniciativa resulta de uma parceria com o Banco de Portugal e contou com a presença do Governador, Mário Centeno, como noticia a TCV. Este passo surge depois do lançamento da tradução da Constituição da República também para a variante de Santiago.

Na sua intervenção, o Chefe do Governo explicou que a literacia financeira é essencial para ajudar as pessoas a gerir melhor os seus recursos, evitar endividamentos desnecessários e tomar decisões acertadas sobre o dinheiro. “Mesmo com pouco, é possível aprender a gerir bem”, afirmou.

Ulisses Correia e Silva enfatizou ainda a relevância de se complementar a educação financeira com uma literacia pedagógica que prepare os cidadãos para enfrentar desafios económicos e sociais. Neste sentido, afirmou que a  educação financeira deve ser um instrumento de proteção contra promessas ilusórias que podem fragilizar a economia e prejudicar as famílias. “A literacia ensina a pensar, questionar e resistir a soluções fáceis que fragilizam a economia e a vida das pessoas.

Já o Governador do Banco de Cabo Verde ressaltou a necessidade de se simplificar conceitos para se lidar melhor com as questões financeiras. “Após a crise financeira de 2008, os Bancos Centrais têm prestado uma atenção especial à necessidade de promover a educação e informação dos consumidores de produtos e serviços financeiros. Avanços consideráveis têm acontecido neste sentido, mas ainda existem desafios a serem enfrentados,” pontou Oscar Santos.  

Entre os desafios, este destacou a necessidade de se ampliar o alcance das iniciativas de educação financeira, especialmente nas localidades menos favorecidas, a promoção de novos atos financeiros e introdução da educação financeira como uma disciplina nas escolas.

É neste contexto que surge o Kadernu di Idukason Finanseru, que resulta de uma parceria com o Banco Central de Portugal, o que levou o governador da instituição a afirmar que é de pequeno que se financia o destino. “Esta ideia de trazer a literacia financeira, que já tinha algum material construído no BCP e no plano nacional de educação financeira em Portugal para o crioulo foi algo muito potente e o banco aderiu de imediato”.     

O lançamento da obra enquadra-se na estratégia nacional de promoção da literacia e inclusão financeira desenvolvida pelo Banco de Cabo Verde, em parceria com o Banco de Portugal, e inclui instruções da educação financeira em formato de história, dirigida aos ensinos primário e secundário. Os materiais foram desenvolvidos pela Organização Não Governamental “Mundu Nôbu.”

Exemplares dos materiais foram distribuídos na Praia, no Liceu Cónego Jacinto e hoje, 4 de abril, no Liceu Ludgero Lima, e no dia 5 de abril, na Ribeira Grande de Santo Antão, no Liceu de Coculi, às 10h30. Depois de uma tradução da Constituição da República para o crioulo de Santiago, agora é lançado este caderno na mesma variante.

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