ADECO pede medidas urgentes para travar impacto da subida dos combustíveis 

A Associação para a Defesa do Consumidor manifesta preocupação e pede medidas urgentes para travar o impacto da subida dos combustíveis na vida das famílias e na economia nacional. Afirma a ADECO que a nova tabela de preços máximos dos combustíveis em vigor até 31 de julho poderá agravar a inflação e reduzir o poder de compra dos cabo-verdianos. 

Em comunicado, a associação reconhece que houve ligeiras reduções nos preços da gasolina (-0,74%), do gás butano (-0,76%) e do petróleo (-0,63%), mas considera que essas descidas são insuficientes para compensar os aumentos verificados noutros combustíveis considerados estratégicos.

Exemplifica a ADECO que o gasóleo destinado à produção de eletricidade registou o maior aumento, de 26,32%, passando de 98,80 para 124,80 escudos por litro. Os preços do Fuel 180 e do Fuel 380 aumentaram 24,25% e 22,91%, respetivamente, enquanto o gasóleo marinha subiu 15,04% e o gasóleo normal registou um acréscimo de 2,04%.

Para esta associação, estas atualizações terão repercussões diretas nos custos da produção de eletricidade e da dessalinização da água, podendo refletir-se nas tarifas pagas pelos consumidores. “O acréscimo superior a 26% no combustível usado para produzir eletricidade terá consequências em cadeia. O custo da produção de energia e da dessalinização da água vai subir, refletindo-se inevitavelmente nas tarifas pagas pelas famílias”, adverte. 

Mais, diz, o aumento dos combustíveis utilizados nos transportes rodoviário e marítimo deverá encarecer o frete e a distribuição de mercadorias entre as ilhas, contribuindo para uma subida generalizada dos preços dos bens essenciais. Alerta, por outro lado, para o risco de agravamento da inflação e de redução do poder de compra das famílias cabo-verdianas, considerando “inaceitável” que os consumidores suportem os efeitos da volatilidade dos mercados internacionais e dos elevados custos de importação e logística.

Perante este cenário, a associação defende a adoção de medidas de mitigação por parte do Governo, nomeadamente a redução temporária de algumas taxas aplicadas aos combustíveis essenciais à produção de energia e aos transportes. Propõe igualmente uma revisão da fórmula de cálculo dos preços máximos dos combustíveis, com maior transparência relativamente aos custos de logística e distribuição, e o reforço das tarifas sociais de água e eletricidade para proteger as famílias de menores rendimentos.

Esta associação promete  continuar a acompanhar a evolução dos preços dos combustíveis e a defender os interesses dos consumidores, reiterando que a estabilidade económica não deve ser alcançada à custa do agravamento das condições de vida das famílias.

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