Mindelo celebra os 90 Anos da revista Claridade com sessão comemorativa e lançamento de cátedra

A ilha de São Vicente recebe na próxima segunda-feira, 23 de março, uma sessão comemorativa dos 90 anos da revista Claridade e o lançamento da “Cátedra Claridade”, promovida pela Universidade do Mindelo, Universidade de Estudos Internacionais de Roma e a Rosa de Porcelana Editora. O evento, que deverá reunir académicos, escritores e investigadores culturais, terá lugar no Auditório Onésimo Silveira, da Universidade do Mindelo. 

Conforme o programa divulgado por esta instituição de ensino, será apresentado o protocolo que cria a “Cátedra Claridade” na Universidade de Estudos Internacionais de Roma (UNINT), com intervenções do Reitor da UniMindelo, Albertino Graça, do Presidente da Fundação Isidoro da Graça, Daniel Graça, e da Reitora da UNINT, Marlagrazia Russo. Haverá ainda um pronunciamento do Presidente da República.

Segue-se um recital dos poetas fundadores da Claridade com Fátima Bettencourt, apresentação do tema “Impacto da Revista e do Movimento Claridade” com Isabel Lobo e considerações sobre Claridosidade com Filinto Elísio. Ainda: o lançamento do livro “Para uma História das Ideias Cabo-verdianas”, de Manuel Brito-Semedo. A apresentação estará a cargo de Ana Cordeiro e Márcia Souto da Rosa de Porcelana.  

 A Claridade, refira-se, é uma revista literária e cultural, sob a égide de Manuel Lopes (São Vicente), Baltasar Lopes da Silva (São Nicolau) e Jorge Barbosa (Santiago), que surgiu em 1936 no Mindelo. Ela está no centro de um movimento de emancipação cultural, social e política da sociedade cabo-verdiana. 

Os seus responsáveis seguiram as pegadas dos neorrealistas portugueses, assumindo no país a causa do povo cabo-verdiano na sua luta pela afirmação de uma identidade cultural autónoma baseada na criação da “cabo-verdianidade” e na análise das preocupantes condições socioeconómicas e políticas das ilhas. Trouxeram à lume a precária situação vivenciada pelo povo, manifestada pelo sofrimento, miséria, fome e morte de milhares de cabo-verdianos ao longo dos anos; uma situação com origem na má administração colonial. não sendo, no entanto, alheios à desastrosa situação do povo ilhéu as frequentes estiagens.

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