O Campo de Concentração do Tarrafal de São Nicolau e as revoltas contra a Ditadura Militar estarão em destaque na primeira sessão do ciclo de conversas “1926-1936. A Coragem de Resistir”, marcada para o dia 29, às 18h00, no auditório do Museu do Aljube, em Portugal.
A iniciativa contará com a participação do investigador sanicolause José J. Cabral, que apresentará a sua investigação sobre o Campo de Concentração do Tarrafal de São Nicolau, aberto em 1931, e do jornalista Jacinto Godinho, que abordará as revoltas contra a Ditadura Militar e os espaços de encarceramento, recorrendo a imagens em movimento resultantes do seu trabalho de investigação jornalística.
Com esta primeira conversa do ciclo “1926-1936. A Coragem de Resistir”, diz Cabral, pretende-se trazer ao debate a história da repressão política e das formas de resistência durante o período, com particular atenção ao papel desempenhado pelo campo de detenção instalado na ilha de São Nicolau, em Cabo Verde. Ou seja, revisitar os acontecimentos associados à Ditadura Militar e às diferentes formas de resistência, através da investigação histórica e jornalística.
A participação de José J. Cabral enquadra-se no seu trabalho de investigação sobre a utilização de São Nicolau como espaço de deportação durante o período fascista. O investigador foi distinguido no concurso Criar Lusofonia, edição de 2011/2012, do Centro Nacional de Cultura de Portugal, com o projeto intitulado “Ilha de São Nicolau – Cabo Verde na Rota de Deportação Fascista, 1931”.
A sessão dedicada às revoltas e ao Campo de Concentração do Tarrafal de São Nicolau permitirá, assim, aprofundar o conhecimento sobre um capítulo da história cabo-verdiana ligado à deportação política e à repressão, promovendo a reflexão sobre a memória histórica e a preservação desse legado.
Licenciado em Administração de Empresas, José J. Cabral possui um diploma de Estudos Especializados em Património, Museologia e Desenvolvimento pela Universidade dos Açores. Escritor com várias obras publicadas, recebeu o Prémio Arnaldo França, em 2022, atribuído pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em Portugal, e o Prémio Mário Fonseca, em 2026, pela Biblioteca Nacional de Cabo Verde.
Atualmente, encontra-se envolvido num programa de curadoria avançada para o desenvolvimento, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Instituto Camões.
