Fotógrafo Marzio Marzot expõe imagens que retratam Cabo Verde de há mais de três décadas

O fotógrafo italiano Marzio Marzot inaugurou, no Centro Cultural do Mindelo, uma exposição que reúne cerca de 70 fotografias captadas em Cabo Verde há mais de 30 anos, num projeto que considera uma forma de devolver ao país imagens que documentam a sua história, cultura e identidade. A mostra retribui parte daquilo que recebeu do arquipélago.

As fotografias foram tiradas, maioritariamente, durante uma viagem efetuada a Cabo Verde, em 1988. Marzio Marzot conta que  permaneceu durante um mês na ilha de São Vicente para produzir uma reportagem sobre o arquipélago, numa altura em que estas ilhas eram ainda pouco conhecido em Itália. “Fiquei apaixonado pela luz, pelas pessoas, pela resiliência da população e pela morabeza”, disse Marzio Marzot, explicando que essa experiência marcou profundamente o seu percurso pessoal e profissional.

Defende este fotógrafo que a exposição representa uma honra, mas também um dever, ao permitir que os cabo-verdianos revisitem imagens captadas há décadas. Embora apenas 70 fotografias integrem a mostra, o autor revelou possuir um vasto arquivo com centenas, ou mesmo milhares, de imagens captadas em Cabo Verde, país que visita regularmente desde a década de 1980.

A exposição retrata o quotidiano das populações, os rostos, as paisagens e os momentos da vida, evidenciando, segundo o autor, a capacidade de resistência e a dignidade do povo cabo-verdiano perante as dificuldades. “Estas fotografias contam histórias de resiliência. Apesar das dificuldades, os cabo-verdianos sempre preservaram o amor pela vida, pela poesia e uma enorme dignidade”.

Luz única das ilhas

Marzio Marzot destacou ainda a luz única das ilhas, elemento que considera uma das principais marcas da sua obra sobre Cabo Verde. “Foi uma descoberta para mim. É uma luz que não existe em Itália“, sublinhou. Enalteceu igualmente o papel do Centro Cultural do Mindelo na concretização da exposição, agradecendo ao diretor da instituição, António Tavares, pela abertura imediata ao projeto. Segundo explicou, ambos já haviam trabalhado juntos em Lisboa, relação que reforçou a vontade de trazer a mostra ao arquipélago.

Com mais de três décadas de carreira, Marzot desenvolveu um vasto trabalho como fotógrafo, documentarista e consultor de comunicação audiovisual, colaborando com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e outras agências em projetos de cooperação.

A sua ligação a Cabo Verde é antiga e profunda. Além de documentar a cultura, a música e a vida quotidiana das ilhas, fotografou alguns dos maiores nomes da música cabo-verdiana, entre eles uma jovem Cesária Évora, muito antes do reconhecimento internacional da artista. Em 1988 publicou também a obra Capo Verde, una storia lunga dieci isole, dedicada ao arquipélago.

Reconhecido pela fotografia social e antropológica, Marzot privilegia uma abordagem documental centrada nas pessoas, na memória dos lugares e na preservação das identidades culturais. O seu trabalho alterna entre o preto e branco, utilizado para realçar a expressão dos rostos e a força das paisagens, e a fotografia a cores, onde procura evidenciar a riqueza da natureza e da vida.

Fotógrafo italiano Marzio Marzot

Para o fotógrafo, a câmara é mais do que um instrumento de registo. É um meio de contar histórias, preservar memórias e dar visibilidade às narrativas que ajudam a compreender a identidade de um povo.

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