Flores do Mindelo resgata memórias de SV com enredo “resiliente”

O grupo carnavalesco Flores do Mindelo apresentou na noite de sábado o seu enredo para o Carnaval 2026,“Mindelo é uma flor que não murcha por ser resiliente, no valorizá e no preservá nôs cultura local, nôs memória e nôs património”, que resgata as memórias de São Vicente de outros tempos e preserva a cultura da ilha como patrimônio. A cerimónia, que contou com a presença dos presidentes da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval, Marco Bento, e do Cruzeiros do Norte, Jailson Juff, aconteceu na Escola Portuguesa do Mindelo. 

Com este enredo, esta agremiação defende a identidade como características próprias e distintas que um indivíduo, grupo social, comunidade ou povo, que permite que tomem consciência ou percepção da sua existência, o que se dá através do seu corpo, dos seus saberes e crenças, suas habilidades, atitudes, comportamentos e ações. “O povo cabo-cabo-verdiano possui uma identidade cultural própria, no sentido de especificidade coletiva, incluindo nela as características peculiares de cada ilha,” pontua. 

Por isso, a importância de preservar este património histórico, pois é através da memória que os povos se orientam para compreender o passado, o comportamento de um determinado grupo social, cidade e nação. “O ativamente da memória também contribui para a formação de identidade, resgata raízes e está ligada a formação cultural e económica de um povo”, frisou, realçando que o resgate da memória pelo sentimento estimula e alimenta a necessidade do homem sobre si, sobre seu passado e presente, sobre as suas conquistas, sendo então a memória um combustível da história. 

Bateria, teatralização do enredo e público

Por outras palavras, afirma Eloisa Andrade, o grupo pretende resgatar hábitos e costumes para evitar que caiam no esquecimento. “Vamos trazer memórias desde há muito tempo até agora. O que pretendemos é fazer uma chamada de atenção para a preservação das boas memórias da ilha de S. Vicente.” Este resgate, refira-se, vai ser contado nas roupas, danças e comportamento, com muita folia, para Mindelo e São Vicente, acrescenta a presidente Ana Ramos. 

Ou seja, assegura, vai desvendar a identidade da ilha e do seu Carnaval, do passado e do presente. Para concretizar este projecto, o grupo tem orçamento que pode ir até aos 10.800 contos, montante que esperam mobilizar através do patrocínio da Câmara de S. Vicente  e apoio de parceiros. “Este ano queremos fazer um bom desfile, por toda a tristeza que se abateu sobre a ilha desde agosto do ano passado, provocada pela passagem da tempestade Erin.”

O grupo espera poder colocar na avenida entre 800 a mil foliões, tres carros alegóricos e um tripé. Estes vão estar ornamentados com dois reis e duas rainhas, sendo que uma vem de fora e os restantes são de S. Vicente. O grupo repete a porta-bandeira Ineida Fortes, que este ano será acompanhada pelo mestre-sala Isael Duarte, que faz a sua estreia absoluta neste posto. 

Não foi apresentada a nova rainha de bandeira, que substituiu Leidy Silveira, que imigrou, alegadamente por motivo de doença. A direção promete, no entanto, desvendar estes nomes em um evento durante os ensaios, que arrancam a partir da próxima segunda-feira, 12.

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