A Associação Artística e Cultural Mindelact está a acolher, na ilha de São Vicente, a encenadora Zia Soares, diretora artística do Teatro Griot, para orientar uma residência de criação artística com os participantes do Curso de Iniciação ao Teatro. A iniciativa culminará com o espetáculo de abertura da 32.ª edição do Festival Internacional de Teatro Mindelact.
Em esta associação informa que, durante as próximas semanas, os formandos irão desenvolver um processo intensivo de experimentação, pesquisa e criação coletiva sob a orientação de uma das mais reconhecidas criadoras do teatro contemporâneo de expressão portuguesa. O trabalho resultará na apresentação de um espetáculo que marcará a abertura do Mindelact 2026.
A 32.ª edição do Festival Internacional de Teatro Mindelact realiza-se de 2 a 7 de novembro, na cidade do Mindelo, reafirmando o seu estatuto de maior e mais antigo festival internacional de teatro de Cabo Verde. Diz a organização que a residência constitui uma oportunidade de formação e intercâmbio para os jovens, permitindo-lhes trabalhar com uma profissional de referência e aprofundar conhecimentos nas áreas da interpretação e criação teatral.
A Associação Mindelact afirma que a presença de Zia Soares representa também um importante momento de aproximação entre diferentes experiências e linguagens cénicas do espaço lusófono, contribuindo para o fortalecimento da criação teatral no arquipélago. Lembra que o Curso de Iniciação ao Teatro é promovido pela Associação Mindelact, com cofinanciamento do Ministério da Cultura e do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).
Conta ainda com o apoio do Centro Cultural do Mindelo, diz a Associação Mindelact. Quanto à esta residência artística, a associação assegura que reforça o seu compromisso com a formação de novos talentos, a valorização das artes performativas e o desenvolvimento do panorama teatral cabo-verdiano.
Perfil de Zia Soares
Sobre Zia Soares, é diretora de teatro e atriz, que trabalha entre a África e a Europa, onde experiencia a construção de novas dramaturgias enraizadas na poética de oralidades. Entre suas encenações mais recentes, destacam-se “O Riso dos Necrófagos”, de sua autoria e coproduzido pelo Teatro GRIOT e pela Culturgest, distinguido como “Melhor Espetáculo 2021/22” no âmbito do Premio Internazionale Teresa Pomodoro (Milão, Itália). Ainda: “Fanun Ruin”, de sua autoria e coproduzido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Sowing_arts; e “Pérola Sem Rapariga”, coproduzido pela Sowing_arts, pelo Teatro Nacional D. Maria II e pelo Apap – Feminist Futures (projeto cofinanciado pelo programa Europa Criativa da União Europeia).
Em 2022, integrou o programa “Mulheres de Coragem” a convite do Presidente da República Portuguesa e foi distinguida pela Associação de Mulheres Empreendedoras Europa/África na categoria de Atuação. A Bantumen Powerlist reconheceu-a como uma das 100 personalidades negras mais influentes da Lusofonia em 2021 e 2022. As suas notas no Linkedin informa ainda que é filha de mãe angolana e pai timorense, nasceu no Bié, Angola, em 1972, e reside em Lisboa, Portugal.
Cursou Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e obteve o mestrado em Artes Cênicas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e trabalhou com balé e percussão na Companhia Nacional de Bailado da Guiné-Bissau, com teatro na companhia brasileira “Os Sátyros” e no Teatro Praga, de Portugal — companhia da qual foi uma das fundadoras e onde desenvolveu projetos como diretora artística, diretora e atriz.
Em 2018/2019, criou e dirigiu as primeiras performances produzidas e interpretadas exclusivamente por mulheres negras em Portugal: “Gestuário I”, produzido pelo Instituto da Mulher Negra em Portugal, e “Gestuário II”, uma coprodução entre o Instituto e a Bienal de Artes Contemporâneas. De 2010 a 2022, foi diretora artística do Teatro GRIOT, companhia na qual permanece como diretora e atriz. Zia Soares é a primeira mulher negra a assumir a direção artística de uma companhia de teatro em Portugal. É também cofundadora da Sowing_arts.
Foto: Observador.pt
