Cabo Verde e Açores celebram 50 anos de história e ligação atlântica

A cidade da Praia recebe no dia 5 de setembro, sábado, o espetáculo “Encontro Musical Açores-Cabo Verde 50 Anos, Dois Arquipélagos, Um Mar”. A produção reúne mais de 60 artistas dos dois arquipélagos num tributo às ligações humanas, culturais e marítimas que unem Cabo Verde e os Açores.

O espetáculo, promovido pela Sociedade Recreativa Filarmónica Fundação Brasileira, dos Açores, é apresentado pela primeira vez fora do arquipélago açoriano, tendo como palco a Assembleia Nacional, com entrada gratuita. Com uma duração de 90 minutos, a produção assinala dois marcos históricos: os 50 anos da Autonomia dos Açores, celebrados este ano de 2026, e os 50 anos da Independência de Cabo Verde, assinalados em 2025.

Sob o lema “50 Anos de Autonomia, 50 Anos de Futuro: Unidos pelo Atlântico”, o espetáculo coloca a insularidade e o mar no centro de uma narrativa artística que procura evidenciar os laços de convergência, cooperação e fraternidade entre os dois povos. “A obra exalta a insularidade e o mar como elos de convergência, cooperação e fraternidade”, reforçam os promotores. 

A proposta assenta numa fusão entre a música da Orquestra Fundação Brasileira e diferentes expressões da música e da cultura tradicional cabo-verdiana. Entre os convidados estão o grupo Raíz di Polon, Jaime Goth e bailarinos cabo-verdianos, que se juntam aos músicos açorianos numa produção concebida para aproximar sonoridades, memórias e identidades de dois arquipélagos separados pela distância, mas ligados pelo Atlântico.

A obra está estruturada em cinco atos. O primeiro, intitulado “O Chamamento do Atlântico”, evoca as ondas e as travessias marítimas através da música sinfónica, cruzando cantos baleeiros açorianos com ritmos tradicionais cabo-verdianos. Em “Raízes e Memórias”, o segundo ato, a viola da terra e o cavaquinho encontram-se em palco, num diálogo entre Chamarritas e Pezinho, dos Açores, e Batuque, Funaná e Tabanca, de Cabo Verde.

O terceiro ato, “50 Anos de Caminho”, apresenta a suíte original “Cinco Décadas de Voz Própria”, acompanhada por imagens históricas e narração sobre os percursos de afirmação autonómica e nacional dos dois arquipélagos. Enquanto que “Pontes Humanas”, quarto ato, presta homenagem à diáspora e inclui testemunhos comunitários, culminando no dueto vocal “Mar de Encontro”, protagonizado por vozes açoriana e cabo-verdiana.

O espetáculo encerra com “Atlântico do Futuro”, uma apoteose coral e orquestral dedicada à sustentabilidade dos oceanos, à economia azul e ao papel da juventude na construção do futuro. Para além da apresentação aberta ao público e à comunidade em geral, a Fundação Brasileira pretende integrar uma missão de voluntariado local e ações de capacitação, reforçando o impacto social e a proximidade humana entre os dois povos insulares.

A presença da Fundação Brasileira em Cabo Verde, de acordo com o comunicado de imprensa dos promotores, pretende ultrapassar a dimensão artística. Para além da apresentação pública na cidade da Praia, a instituição prevê integrar uma missão de voluntariado local e desenvolver ações de capacitação.

Com este evento a organização procura reforçar não apenas o intercâmbio cultural, mas também a proximidade humana e a cooperação entre as comunidades dos dois arquipélagos. E o palco da AN transforma-se, assim, num espaço de celebração de meio século de história, identidade e afirmação, tendo o Atlântico como ponto de encontro entre Açores e Cabo Verde.

 

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