Ulisses C. Silva admite vitória do PAICV e anuncia demissão do cargo de presidente do MpD

Ulisses Correia e Silva admitiu ontem a vitória do PAICV nas eleições Legislativas e assegurou que vai pedir demissão do cargo de Presidente do MpD. “Perante os resultados, o óbvio é esperar que o presidente do MpD apresente a sua demissão. Eu não vou colocar o meu lugar à disposição. Eu vou é pedir a demissão para que, em Convenção, o partido possa escolher um novo presidente, os novos órgãos, os novos dirigentes”, pontuou, em declaração à imprensa na sede do partido, na cidade da Praia.

Segundo o candidato, que queria governar por mais cinco anos, apresenta a demissão porque há vida para além da política e já deu muitos anos da sua vida como Primeiro-ministro, Presidente da Câmara da Praia, ministro das Finanças e deputado. “Como eu disse, há vida para além da política e amanhã de manhã estarei a fazer o meu footing”, assegurou. UCS reconheceu que o partido ficou aquém dos objectivos nas eleições.

O presidente do MpD diantou que tem de passar o testemunho para o partido entrar numa nova fase porque as pessoas vão e as instituições continuam a existir. Isto, diz, é bom para a democracia cabo-verdiana, que precisa de um MpD forte. Enfatiza, aliás, que o Movimento mereceu a aprovação de uma fatia significativa da sociedade manifestada nos votos.

Questionado sobre os motivos da derrota do MpD, Ulisses C. Silva salientou que caberá ao partido descobrir os factores que determinaram esse resultado. Adiantou, no entanto, que foi apanhado de surpresa com a votação em S. Vicente, Sal e Santo Antão. Na sua análise, os resultados nos círculos de S. Vicente e do Sal acabaram por provocar um desequilíbrio a favor do PAICV. Além disso, apontou o extraordinário nível da abstenção, que pode atingir 50 por cento.

No seu depoimento, UCS passou uma “mensagem de tranquilidade e pacificação”, no respeito pelas “regras democráticas”. Uma mensagem que, reforçou, visa reduzir a crispação política, que ainda é forte em Cabo Verde. No momento em que proferiu a sua declaração, acompanhado de membros da cúpula do MpD e do Executivo, a vitória do PAICV estava garantida, mas disse que não sabia se seria com maioria relativa ou absoluta.

De qualquer modo, disse, era segura a derrota do MpD nas urnas, tendo por isso telefonado para Francisco Carvalho, seu principal adversário político, para lhe dar os parabéns. Acrescentou que, mediante a vontade popular, o MpD vai assumir o seu papel de oposição no Parlamento e o Governo iria repassar as pastas ao novo Executivo numa transição tranquila de poder, no respeito pelas regras democráticas.

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