A UCID apresentou esta segunda-feira, 6 de abril, o ex-presidente da Comissão Política Concelhia da Praia do MpD, Alberto Mello, que recentemente desvinculou deste partido, como cabeça de lista para Santiago Sul, e o ex-candidato presidencial Casemiro de Pina para a ilha do Fogo, ambos como independente. Beta explica que após um período de reflexão decidiu iniciar um novo ciclo político, agora com os “democratas-cristão, mantendo intacta a convicção de servir Cabo Verde com liberdade, responsabilidade e compromisso.
“Fui convidado a integrar este novo desafio e aceitei-o com sentido de dever. Aceitei como independente, com a plena consciência de que o meu compromisso é, acima de tudo, com C. Verde, com a sua gente, o seu presente e o seu futuro”, lê-se numa publicação na sua página no facebook. “Aceito porque acredito que ainda posso contribuir para o desenvolvimento do nosso país, colocando ao serviço dos cabo-verdianos a minha visão, a minha experiência e a minha dedicação”, reforçou.
Beta reforça ainda dizendo acreditar numa política mais aberta à sociedade civil, mais plural, mais capaz de integrar diferentes formas de pensar Cabo Verde, uma política onde o pensamento livre não é um incómodo, mas um valor essencial. E é nesse espírito que, afirma, este antigo dirigente do MpD, abraçou este desafio com a UCID, um partido que hoje demonstra abertura, capacidade de renovação e vontade de alargar o espaço de participação a todos os que querem construir o futuro do país.
Em conferência de imprensa, a UCID disse que hoje não é apenas um ato político, mas um momento sublime para o partido, para o país e para todos aqueles que o sistema teima em ignorar. “A UCID nasceu de uma convicção simples e poderosa: Cabo Verde precisava de uma voz que não fosse subserviente ao bipartidarismo, que não negociasse a sua alma nos bastidores do poder,” contextualiza, lembrando que o partido carrega independente e democrático no nome, porque é contra o compadre e as redes de clientelismo e porque acredita que a democracia não é um mecanismo para votar. Éum compromisso diário com a transparência, com a prestação de contas, com o respeito pela dignidade de cada cidadão.
Em termos de diagnóstico, defende a UCID que C. Verde está doente da descrença. Por conta disso, afirma, metade dos eleitores ficaram em casa nas últimas eleições. Não por preguiça, mas por desgosto. Por terem visto, ciclo após ciclo, os dois partidos tradicionais alternarem no poder e chegarem à mesma conclusão: o Estado serve os seus.“Os jovens das ilhas periféricas – Fogo, Brava, São Nicolau e Maio – cresceram a ver a política de longe, como uma coisa alheia, uma conversa que nunca foi sobre eles. As mulheres empreendedoras, afogadas no custo de vida, esperaram em vão por propostas concretas que chegassem além da retórica de campanha. A diáspora – com talento, esforço e dinheiro enviado para sustentar famílias inteiras – continuou sem representação proporcional no parlamento que devia ser a sua casa.”
Para os democratas-cristãos, este silêncio não é resignação, mas sim acusação. E a UCID emerge como a terceira via que Cabo Verde sempre precisou. “Não somos de esquerda nem de direita – somos do povo. Orientados por resultados, movidos por dados, ancorados nas pessoas que décadas de bipartidarismo deixaram invisíveis. Somos independentes das redes de poder e somos democráticos na nossa essência mais profunda”, assegurou, indicando que os homens e mulheres apresentados como cabeça de listas não foram para dar jeito, mas para representar este Cabo Verde que sempre teimou em existir.
Com este objectivo, o partido promete um programa baseado em evidências — não em slogans e estar presentes nas nove ilhas e na diáspora, com a mesma intensidade, sem hierarquias geográficas, sem ilhas de segunda categoria e sem cidadãos de segunda. Em troca, que os cabo-verdianos no país e na diáspora, que não fiquem em casa e que o seu voto de protesto não seja o silêncio. “Dos 135 cidadãos residentes no país e na diáspora envolvidos nas listas dos 10 círculos eleitorais que a UCID participa nas eleições Legislativas de 17 de maio de 2026, 76 estão na faixa etária entre 35 á 60 anos, correspondente a 56,2% e 59 são jovens com idade igual ou menor a 35 anos, correspondente a 43,7%,” detalha, acrescentando que desses 135 cidadãos, 74 são homens e 61 são mulheres, respeitando a paridade de género exigida.
Relativamente à escolha dos cabeças de listas, a UCID alega que no seio da sociedade civil existem muitas opções independentes e quadros bem qualificados que estão desejosos de dar a sua contribuição para que o país possa atingir melhores níveis de desenvolvimento. Com este argumento apresentou o ex-dirigente do MpD, Alberto Melo para Santiago Sul e o candidato presidencial Casimiro de Pina para o Fogo. Para os círculos da diáspora, listou Júlio de Carvalho (África), Carlos Silva (Américas) e Carlos dos Santos (Europa e resto do mundo). E, os restantes nacionais, João Santo Luís (São Vicente), Adalgiza da Veiga (Santiago Norte), Carlos Bartolomeu Gomes (Santo Antão), Adirley Fortes (Sal) e Elton Sequeira (S. Nicolau).
