A Associação dos Profissionais de Telecomunicações Aeronáuticas de Cabo Verde (APTA-CV) acusa a administração da ASA – Aeroportos e Segurança Aérea de promover uma alegada “caça às bruxas” contra trabalhadores envolvidos no recente processo de reivindicação laboral, denunciando a rescisão do contrato de um técnico sem justificação formal.
Em um comunicado, o presidente da Associação dos Profissionais de Telecomunicações Aeronáuticas de Cabo Verde (APTA-CV) informa que o caso surge na sequência do processo de reivindicação laboral protagonizado, no início deste ano, pelos Técnicos de Telecomunicações Aeronáuticas (TTA’s), Técnicos de Informação e Comunicações Aeronáuticas (TICA’s) e pessoal de apoio à gestão da ASA.
Durante esse período, diz Rui Jesus, os trabalhadores apresentaram dois pré-avisos de greve, tendo uma paralisação sido realizada e outra suspensa após entendimento com a administração da empresa. Este explicou ainda que, nas negociações, mediadas pela Direção Regional do Trabalho, representantes da administração terão proferido “ameaças veladas” contra trabalhadores envolvidos na luta sindical.
A APTA-CV revela agora que um técnico com dois anos de serviço teve o contrato rescindido sem justificação e a empresa contratou outro profissional para desempenhar as mesmas funções.“De forma vil, baixa e cruel, a Administração iniciou, recentemente, o que só pode ser descrito como uma verdadeira “caça às bruxas”, ao denunciar o contrato de trabalho de um técnico com dois anos de serviço, sem apresentar qualquer justificação formal na notificação entregue ao trabalhador”, detalha.
Para o presidente deste sindicato, esta decisão configura uma represália pela participação do trabalhador nas ações reivindicativas desenvolvidas recentemente. Alerta, por isso, que poderá avançar com novas medidas caso a administração mantenha a alegada postura de intimidação e perseguição laboral.
Rui Jesus recorda que o direito à greve é constitucionalmente protegido e defende que nenhuma entidade empregadora deve adotar medidas punitivas contra trabalhadores que exerçam esse direito. Denuncia, por outro lado, que outros trabalhadores com contratos a termo certo enfrentam ameaças de não renovação contratual, situação que, afirma, poderá colocar várias famílias em situação de vulnerabilidade social.
Terminam dizendo que a empresa age com a lógica do “quero, posso e mando”, comportamento que tem vindo a comprometer o bom nome e a reputação que a ASA, e reafirmam o seu compromisso com a sua profissão, respeitando os seus deveres e obrigações mas, defendendo de forma firme os seus direitos.
