Os sete sindicatos representativos dos profissionais do setor da saúde – SLTSA, Sintcap, Sintap, Sindef, Siscap, Sinmed e Sicotap — denunciam alegadas situações de perseguição e tentativa de represálias contra o ortopedista Tito Rodrigues. Dizem que desde o seu afastamento das funções de diretor do Serviço de Orto-Traumatologia do HBS, não recebeu nenhuma comunicação sobre eventual processo disciplinar, nem foi ouvido por qualquer instrutor. “O silêncio da tutela constitui uma forma de pressão psicológica sobre o profissional”, acusam.
Estas informações foram avançadas em conferência de imprensa no Mindelo por estes sindicatos, que dizem que Tito Rodrigues está a ser alvo de “perseguição e injustiça”, alegadamente desencadeadas pelo Ministro da Saúde. De acordo com Luís Fortes, a situação teve origem após o médico ter enviado uma carta ao Conselho de Administração do HBS, manifestando “perplexidade e incredulidade” perante informações sobre a retirada de equipamentos importantes da instituição para serem enviados para a ilha da Boa Vista.
“Por este simples facto, o senhor Ministro da Saúde tomou medidas imediatas, sem nenhum fundamento válido, no sentido do seu afastamento imediato das funções de diretor do Serviço de Orto-Traumatologia, bem como das de presidente da Junta de Saúde de Barlavento”, afirmou o dirigente sindical.
Os sindicatos consideram que a atuação da tutela constitui uma tentativa de atingir o prestígio profissional do médico, que, segundo afirmam, demonstrou preocupação com as condições das estruturas de saúde da ilha e com as necessidades do Hospital Baptista de Sousa. Destacam ainda o papel de Tito enquanto dirigente sindical e defensor dos direitos dos trabalhadores da saúde. “Como membro da direção do Sintap, defende sempre que necessário os interesses dos trabalhadores para que estes possam desempenhar melhor as suas funções. Entendemos que só por esta causa está a ser perseguido, caluniado, injustiçado e vítima de uma tentativa de represália”, sublinha.
Os sindicatos afirmam solidariedade para com o médico e com outros profissionais de saúde que alegadamente enfrentam situações semelhantes e garantem que permanecerão atentos e“dar combate cerrado” a quaisquer tentativas de perseguição, assédio, calúnia ou injustiça no ambiente de trabalho. Segundo Luís Fortes, este continua afastado do cargo de diretor de Traumatologia, embora permaneça a exercer funções como médico e presidente da Junta de Saúde , enquanto aguarda a publicação oficial da destituição no Boletim Oficial. Entretanto, afirmam os sindicatos, o Hospital Baptista de Sousa continua sem diretor do Serviço de Traumatologia, alegadamente por falta de substituto para o cargo.
