O polo oncológico do Hospital Dr. Baptista de Sousa, em São Vicente, foi inaugurado nesta sexta-feira, 30 de outubro, com o início dos tratamentos de quimioterapia, visando aproximar os cuidados oncológicos dos doentes da região norte de Cabo Verde. O ministro da Saúde, Lúcio Miranda Fernandes, destacou a importância da descentralização dos serviços e do reforço da capacidade de diagnóstico precoce.
A entrada em funcionamento do polo resulta da colaboração entre médicos, enfermeiros e técnicos de saúde de São Vicente, profissionais do Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, e uma equipa médica proveniente de Portugal. O projeto enquadra-se num protocolo que prevê cerca de 700 mil euros para apoiar o tratamento oncológico no país nos próximos anos.
“É um tratamento com a mesma qualidade do que é disponibilizado na Cidade da Praia“, afirmou Lúcio Miranda Fernandes, enfatizando a importância de se garantir assistência especializada mais próxima aos doentes. O ministro destacou ainda a necessidade de se reduzir as deslocações para outras ilhas, considerando que “a evacuação custa dinheiro, mas sobretudo tem um impacto emocional enorme nas pessoas que têm de se deslocar da sua localidade, da sua ilha, para estar em outro lugar para receber o tratamento”.
Na sua intervenção, governante salientou, por outro lado, a importância de se apostar na prevenção e na deteção atempada das doenças oncológicas. “Além de trazer o tratamento para São Vicente, temos também de fazer campanhas de sensibilização, mostrar os fatores de risco dos diferentes tipos de cancro e aumentar a nossa capacidade de diagnóstico precoce”, declarou.
Aumentar mamógrafos e aparelhos de TAC
O Governo, adiantou, quer aumentar para cinco o número de mamógrafos funcionais até 2027 e adquirir mais quatro aparelhos de tomografia axial computorizada (TAC). Segundo os dados que apresentou, Cabo Verde registou 448 casos de doenças oncológicas em 2024, sendo o cancro da próstata o mais frequente entre os homens e o da mama entre as mulheres.
No domínio dos recursos humanos, Lúcio Miranda Fernandes anunciou o reforço das equipas médicas com mais 28 especialistas cubanos em diferentes áreas, incluindo oncologia, nefrologia, cirurgia, infetologia e gastroenterologia. “Dispomos agora de protocolo com o Brasil para formarmos 50 médicos especialistas”, disse, com o objetivo de aumentar a capacidade nacional de resposta às necessidades de saúde, disse.
No Hospital Dr. Baptista de Sousa, o governante reconheceu a necessidade da consolidação de várias especialidades para servir o HBS e todas as outras ilhas da região norte.
Quanto à implementação da radioterapia em Cabo Verde, o ministro assegurou que o projeto continua em negociação. “Radioterapia em Cabo Verde tem que haver. Estamos no processo de negociação e, no próximo ano, o que se prevê é a construção de um búnquer para permitir a instalação do serviço”, afirmou.
O governante confirmou ainda a continuidade do programa de transplantes renais, com seis intervenções previstas para novembro, no Hospital Universitário Agostinho Neto, e outras seis em dezembro, em São Vicente. No quadro da prevenção das doenças crónicas, defendeu o acompanhamento regular de pacientes com diabetes e hipertensão para reduzir o risco de complicações, como a insuficiência renal. “Temos que fazer de tudo para não ter mais insuficiência renal no futuro”, considerou.
A descentralização dos cuidados oncológicos através do novo polo tem como objetivo, assim, melhorar o acesso aos tratamentos especializados e reduzir a necessidade de deslocações de doentes para outras ilhas.
Ronice Fortes (Estagiária)
