O deputado eleito Orlando Dias anunciou a sua candidatura à liderança do MpD na próxima Convenção Nacional do partido, reafirmando uma intenção que, segundo o próprio, já tinha sido assumida após as eleições internas de 2023. O anúncio, que aparece depois de Ulisses Correia e Silva afirmar que irá apresentar a sua demissão da liderança do partido, foi feito através de uma publicação na página oficial do político no Facebook, onde justificou a decisão com a necessidade de reorganizar o partido após os recentes resultados eleitorais.
“Em coerência com o anúncio feito por mim, após as eleições internas do MpD de 2023, e com o objetivo de reorganizar o MpD, declaro que serei candidato à liderança do MpD na próxima Convenção Nacional”, escreveu Dias, que liderou a lista do partido pelo círculo eleitoral de África nas legislativas e tem vindo a assumir uma posição crítica em relação à atual direção do seu partido.
Em dezembro de 2025, na sequência da derrota do partido nas eleições autárquicas, Orlando Dias divulgou uma carta aberta dirigida aos militantes e simpatizantes do MpD, responsabilizando Ulisses Correia e Silva pelo desaire eleitoral. Na altura, defendeu que os responsáveis partidários deveriam colocar os cargos à disposição e apelou à realização de uma Convenção Nacional Extraordinária para “trazer o MpD de volta”.
Dias acusava ainda a direção partidária de afastamento da militância e dos simpatizantes, considerando que os sinais de desgaste político estavam a ser ignorados pela liderança. “Os culpados pela maior derrota eleitoral do MpD e o primeiro presidente a perder umas autárquicas, não só não assumem as suas responsabilidades como procuram atirar o ónus da derrota para os municípios e os candidatos”, frisava.
Após a derrota do MpD nas eleições legislativas de 2026, que ditaram o fim do ciclo governativo liderado por Ulisses Correia e Silva, o político reafirma a sua intensão de disputar a liderança do Movimento para a Democracia.
De referir que, na primeira reação aos resultados eleitorais, o ainda presidente do MpD anunciou a decisão de apresentar a sua demissão da liderança do partido e abandonar a vida política activa. “O MpD não conseguiu atingir nem o objectivo de vencer eleições, nem o objectivo de continuar a governar Cabo Verde”, declarou Ulisses Correia e Silva, defendendo a necessidade de renovação interna da força política.
O ainda líder do Movimento para Democracia afirmou igualmente que pretende afastar-se da política, após décadas de exercício de funções públicas, incluindo os cargos de Primeiro-ministro, presidente da Câmara Municipal da Praia, deputado nacional, ministro das Finanças e Secretário de Estado.
