”Alarmado” com ataques pessoais nas redes sociais, o Observatório da Cidadania Activa exortou os partidos a fazer uma campanha política esclarecedora, sem ofensas e com uma narrativa construtiva capaz de mobilizar os cidadãos a votar de forma consciente e responsável nas eleições do dia 17 de maio. É igualmente necessária, segundo o Observatório, uma campanha com “propostas realistas e exequíveis”, que contribuam para o desenvolvimento de Cabo Verde, mormente face aos desafios impostos pelas crises que o mundo enfrenta, com “impactos severos” na economia mundial.
Com a campanha já no terreno, apesar de começar oficialmente no dia 30 de abril, a organização mostra-se preocupada com o nível e a qualidade de certas intervenções públicas e o uso de linguagem ofensiva que, na sua óptica, fere a ética.
“O recurso a ataques pessoais através das novas tecnologias, das redes sociais e, particularmente, da Inteligência Artificial (IA) para atingir negativamente a imagem e o bom nome dos cidadãos — candidatos ou não — tem sido alarmante”, alerta o Observatório, que reconhece o potencial das redes sociais como canais de divulgação de mensagens, mas discorda com o nível de agressividade presente nalgumas comunicações.
Perante esta realidade, apela aos partidos e aos candidatos a assumirem o compromisso de, durante a campanha, utilizarem responsavelmente as novas tecnologias e redes sociais, evitando narrativas que ofendam a dignidade e a imagem dos cidadãos. Pede ainda que evitem espalhar fake news e optem pela produção de conteúdos audiovisuais pedagógicos, pautar os contactos directos com ética – respeitando o direito à diferença dos eleitores.
Ao eleitor, o referido organismo espera que possa respeitar os partidos e as caravanas e que denuncie às autoridades competentes (CNE e Polícia Nacional) qualquer tentativa de condicionamento do direito ao voto. Estimula ainda a cada cidadão a informar-se corretamente sobre os programas de governação e evite danificar os materiais de campanha.
O Observatório da Cidadania Activa reitera a importância de se apostar numa bolsa de observadores nacionais, cabendo às organizações da sociedade civil um papel preponderante nesta matéria, mediante ações de capacitação ministradas por instituições como a CNE. Uma forma, diz, de se reforçar a monitorização das eleições no país com um maior e melhor envolvimento da sociedade civil. Assegura que, da sua parte, estará atenta ao processo eleitoral e disponível para colaborar com as autoridades e os partidos para que os direitos de todos sejam respeitados.
