O novo presidente do Conselho de Administração da Enapor, Hamir Inocêncio, assumiu funções com a promessa de imprimir uma nova dinâmica à empresa e transformar os portos nacionais em verdadeiras plataformas de desenvolvimento internacional, capazes de reduzir custos, atrair investimento, gerar emprego e reforçar a posição de Cabo Verde nas rotas marítimas do Atlântico.
Empossado esta segunda-feira, juntamente com os administradores executivos Carlos Delgado e Aleida Sofia Moreno, o novo PCA da Enapor afirmou que assume a liderança da empresa que gere os portos nacionais com sentido de responsabilidade e plena consciência de que se trata de uma missão e de uma obrigação de servir e produzir resultados. Hamir Inocêncio reconheceu o trabalho realizado pelos anteriores administrações e pelos trabalhadores que contribuíram para a construção e modernização da empresa, mas deixou claro que a nova administração recebe também “desafios por resolver e expectativas por cumprir”.
“A nossa responsabilidade será, portanto, preservar o que foi bem feito, corrigir o que tiver de ser corrigido, concluir o que tiver de ser concluído e ter a coragem de construir aquilo que o futuro exige”, afirmou, prometendo ir para além da gestão corrente das infraestruturas portuárias. Defende uma mudança de paradigma, com os portos nacionais a assumirem um papel mais estratégico na economia cabo-verdiana e na inserção do país nos circuitos internacionais.“Não queremos apenas administrar portos, queremos transformá-los em verdadeiras plataformas de desenvolvimento internacional”.
A ambição passa por criar portos capazes de aproximar as ilhas, reduzir custos para a economia, melhorar o abastecimento e apoiar setores como a pesca, o comércio, a indústria e o turismo. Mais, os portos devem funcionar como instrumentos de atração de investimento, criação de emprego e competências, reforçando a integração regional e a projeção de Cabo Verde no Atlântico.
Neste sentido, defende que a localização geográfica privilegiada do país, frequentemente apontada como uma vantagem estratégica, só terá verdadeiro valor económico se for acompanhada de infraestruturas, conectividade e competitividade. “Geografia sem estratégia é apenas localização. Geografia sem infraestruturas é apenas mapa. Geografia sem conectividade é distância. Geografia sem competitividade não cria riqueza”, sustentou, ressaltando que o desafio consiste em transformar a posição geográfica de Cabo Verde numa vantagem logística capaz de gerar investimento, negócios e emprego.
Cabo Verde num hub logístico
Segundo Hamir Inocêncio, a Enapor pretende trabalhar com o Governo na definição de uma estratégia internacional que permita ao país mobilizar investimento, tecnologia, conhecimento e redes comerciais, além de aumentar a capacidade de atração de operadores e navios para os portos nacionais. Admitiu ainda necessidade de estudar as condições para que Cabo Verde possa assumir funções de “hub” logístico e de distribuição no Atlântico e na África Ocidental.
Mas advertiu que essa ambição não se concretiza apenas por decisão administrativa. “A logística internacional escolhe os seus portos pela eficiência, custo, rapidez, segurança e confiança”, afirmou, defendendo que Cabo Verde precisa de se tornar “útil, competitivo e necessário nas rotas”. A estratégia será desenvolvida num contexto em que, diz o PCA, as cadeias logísticas internacionais estão a ser reconfiguradas e a África Ocidental ganha relevância económica e logística. Neste sentido, promete dar continuidade ao programa de expansão e modernização das infraestruturas portuárias, com atenção especial aos projetos enquadrados no Global Gateway, sobretudo os relacionados com Porto Grande, Porto Novo, Palmeira e One Power Supply.
Garante igualmente a continuidade do projeto da rede de gares marítimas, integrado no programa de turismo resiliente e desenvolvimento da economia azul. Paralelamente, anunciou ainda uma cultura de gestão orientada para resultados, defendendo que os investimentos realizados nas infraestruturas devem traduzir-se em ganhos concretos para a economia. “Não basta construir, é preciso produzir”, afirmou, defendendo que cada investimento deve procurar gerar mais capacidade, melhor serviço, maior produtividade, mais tráfego, novos negócios, receitas, emprego e competitividade.
Disse que os investimentos realizados desde 2004 ascendem a cerca de 350 milhões de euros, constituindo, na sua visão, uma base que deve ser valorizada através de ganhos de eficiência e competitividade. Afirmou, por outro lado, que a transformação digital surge como uma das prioridades. Neste sentido, anunciou que a Enapor pretende avançar para portos mais digitais, integrados, seguros, eficientes e inteligentes, capazes de reduzir tempos de espera e simplificar procedimentos. “Reforçaremos as tecnologias de informação.Procederemos à certificação ISO 9001 e trabalharemos para a ISO 27000. Melhoraremos o sistema da logística portuária, modernizaremos equipamentos,procuraremos simplificado o caderno tarifário e reforçaremos uma organização interna cada vez mais ágil e orientada para resultados.”
989 trabalhadores no centro da estratégia
Apesar da aposta em infraestruturas e tecnologia, o novo presidente considera que os trabalhadores constituem o principal ativo da empresa. Indicou que a Enapor conta com 989 colaboradores, incluindo a comunidade portuária, distribuídos pelas nove ilhas. E defendeu uma política de valorização dos recursos humanos através da formação contínua, qualificação profissional, segurança, melhoria das condições de trabalho e modernização dos equipamentos. “O maior capital da empresa são as pessoas”, afirmou, sublinhando que são os trabalhadores que transformam investimentos, tecnologia e infraestruturas em serviços concretos.
A tomada de posse dos novos órgãos sociais da empresa acontece no momento em que a Enapor assinala 44 anos de existência e Hamir fez questão de reconhecer o legado das administrações anteriores, mas deixou uma mensagem clara sobre a orientação que pretende imprimir à empresa. “Honraremos essa história e respeitaremos todos aqueles que participaram na sua construção. Mas o melhor modo de honrar o passado é preparar o futuro”, afirmou.
Esta nova etapa deverá, segundo o compromisso assumido pelo CA, ser marcada pela eficiência, modernização, transformação digital, sustentabilidade, valorização dos trabalhadores e internacionalização. O objetivo? Transformar os portos nacionais em instrumentos centrais da estratégia económica de Cabo Verde, reforçando a conectividade entre as ilhas e posicionando o arquipélago como um ponto cada vez mais relevante nas redes logísticas do Atlântico e da África Ocidental.
Elevadas responsabilidades
O Ministro dos Transportes e Mar, que presidiu a cerimónia, declarou que ao novo CA é confiada a responsabilidade de liderar uma instituição de importância estratégica para o país, dando continuidade ao processo de modernização em curso. João do Carmo reconheceu o trabalho desenvolvido pela gestão cessante, numa conjuntura particularmente exigente e marcada por múltiplos constrangimento, mas também por relevantes oportunidades de crescimento, modernização e inovação. “A liderança exercida revelou-se crucial para o reforço do papel estratégico da empresa na gestão, dinamização e desenvolvimento do sistema portuário nacional. Merece especial destaque o processo de subconcessão das operações portuárias nos portos nacionais, promovido pelo Estado de Cabo Verde, através da Enapor, na qualidade da concessionária geral dos portos”, frisou.
Segundo o governante, esta iniciativa insere-se na Agenda Nacional de Privatizações, ou seja, das alienações parciais, concessões e parcerias público-private, enquadrada no processo de reforma do setor público-empresarial do Estado e alinhada com os objetivos do Programa do Governo. Relativamente a subconcessão, prometeu que será concretizada mediante concurso internacional limitado, visando atrair operadores portuários da reconhecida capacidade técnica, solidez financeira e experiência internacional.
“Pretende-se mobilizarinvestimentos estruturantes, incorporar tecnologias avançadas, reforçar as competências operacionaise introduzir modelos de gestão mais eficientes e orientados para elevados padrões de desempenho,competitividade e qualidade de serviço”, detalhou, referindo que o Governo pretende acelerar a modernização do sistema portuário nacional, elevar os níveis de eficiência profissional, melhorar a qualidade dos serviços prestados aos utilizadores, fortalecer a competitividade da economia nacional e ampliar a integração do país nas cadeias logísticas e marítimas internacionais.
O processo, diz, será conduzido com observância rigorosa dos princípios da transparência, da boa governação e da salvaguarda do interesse público, certificando o envolvimento dos intervenientes e adotando as melhores práticas internacionais aplicáveis a operações desta natureza. “Ambiciona-se criar mais valor para a economianacional, reduzir a exposição do Estado a riscos fiscais e assegurar uma base maissólida para o desenvolvimento sustentável do setor portuário”, insiste.
E neste modelo, disse, a Enapor preserva o seu papel enquanto concessionária-geral dos portos nacionais, efetuando a supervisão do sistema, o acompanhamento das obrigações contratuais, a defesa do interesse público e a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Portuário. Terminou felicitando os novos administradores e formulou votos de sucesso na missão. “O futuro da Enapor encontra-se vinculado às aspirações de Cabo Verde para o desenvolvimentoda sua economia marítima, dos seus recursos e oportunidades associados ao mar e para a valorizaçãoda economia azul.”
A par do CA, foram empossados a mesa da Assembleia Geral, presidida pela engenheira Helena Delgado e pela secretaria Ana Paulo Fortes e o Conselho Fiscal, integrado por Gracelinda Mendoça (presidente) e pelos vogais Baltazar Ramos e Emeline Mota.
