A cepa de hantavírus detectada num dos dois passageiros do navio MV Hondius evacuados para a África do Sul é a dos Andes, conhecida por poder ser transmitida entre humanos. A informação, segundo o jornal Globo.com, foi avançada por Aaron Motsoaledi, ministro da Saúde sul-africano, durante audiência com uma comissão parlamentar. Os testes preliminares mostram, conforme essa autoridade, que, de fato, se trata da única variante, entre as 38 conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra.
Na sequência, a Organização Mundial de Saúde tem tentado localizar os 82 passageiros embarcados no avião em que uma holandesa foi transferida da ilha de Santa Helena para Joanesburgo, num voo operado pela companhia aérea sul-africana Airlink, a 25 de abril. A paciente, cujo marido, de 70 anos, morreu a bordo do MV Hondius, aterrou em Santa Helena em 24 de abril com sintomas gastrointestinais e embarcou no dia seguinte para a África do Sul, segundo divulgou esta terça-feira, 5 de maio, a OMS. A mulher acabou por falecer num hospital em 26 de abril e a sua infeção por hantavírus foi confirmada esta segunda-feira. As autoridades sul-africanas solicitaram à companhia aérea que informe os passageiros para que contactem o Ministério da Saúde, caso ainda não tenham sido abordados.
O navio MV Hondius chegou a Cabo Verde, proveniente da Argentina, com uma situação sanitária alarmante por suspeita de surto de hantavírus, que provocou três mortes a bordo. Ficou ancorado ao largo do Porto da Praia, onde recebeu a visita das autoridades sanitárias. Ontem, o Ministério da Saúde assegurou que o caso “permanece sob controlo” e classificou o risco para o país como baixo.
A Direcção Nacional de Saúde realçou que a situação está a ser acompanhada no âmbito dos sistemas nacionais de vigilância epidemiológica e das normas do Regulamento Sanitário Internacional, com apoio da Organização Mundial da Saúde e de parceiros internacionais, incluindo autoridades dos Países Baixos e do Reino Unido.
As autoridades confirmaram que três pessoas a bordo se encontram clinicamente estáveis e que não foram registadas novas transmissões entre passageiros ou tripulação. Entretanto, a embarcação deverá abandonar o arquipélago de Cabo Verde nas próximas horas, após a evacuação médica de dois tripulantes doentes e de um caso de contacto. O navio deverá seguir para as Canárias ou para os Países Baixos, adiantou na terça-feira à AFP Ann Lindstrand, representante da OMS em Cabo Verde.
Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
C/Globo.com e Dn.pt
