O Ministério da Saúde reagiu ontem às notícias reproduzidas pela imprensa internacional sobre a morte de quatro turistas britânicos, após infecções gastrointestinais contraídas supostamente durante as férias na ilha do Sal, tendo o ministro Jorge Figueiredo classificada a abordagem jornalística como “grave, desproporcional e susceptível de induzir a percepções alarmistas injustificadas” sobre o serviço de saúde em Cabo Verde.
Segundo o governante, do ponto de vista técnico, a mera coincidência temporal entre viagem e doença não constitui prova de causalidade. “A determinação de nexo causal exige confirmação laboratorial, investigação ambiental estruturada e análise epidemiológica comparativa — elementos que não decorrem de alegações mediáticas nem de processos judiciais ainda em curso”, salientou Figueiredo, na sequência de uma reportagem publicada pelo jornal The Times sobre o caso.
Do ponto de vista epidemiológico, reforçou o governante, os dados oficiais das autoridades competentes do próprio Reino Unido indicam que as doenças infecciosas gastrointestinais, incluindo as associadas a Shigella, não figuram entre as causas relevantes de mortalidade. “Trata-se de evento raro, de baixa letalidade, cujos óbitos se concentram predominantemente em indivíduos com vulnerabilidade clínica”, acentuou o ministro, salientando que Cabo Verde é um país amplamente reconhecido pela sua estabilidade, segurança e progressos consistentes nos principais indicadores de saúde pública.
Na leitura do ministro, os casos relatados pela imprensa internacional são processos de natureza jurídica, direcionados a entidades privadas. Deixa claro, neste sentido, que o Ministério da Saúde não aceita que alegações individuais, apresentadas em instâncias estrangeiras, sejam generalizadas ou instrumentalizadas para colocar em causa o sistema de saúde nacional e a boa imagem de Cabo Verde.“Interesses particulares não podem sobrepor-se à evidência científica, nem comprometer a reputação de uma nação construída ao longo de décadas”, reagiu Figueiredo, salientando que a acusação é dirigida a uma cadeia hoteleira privada, que se encontra obrigada ao cumprimento integral das normas sanitárias cabo-verdianas.
“Cabo Verde dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica sólido, reconhecido por parceiros internacionais, com ganhos acumulados no controlo de doenças transmissíveis, melhoria do saneamento, reforço da segurança alimentar e fortalecimento institucional. Estes progressos posicionam o país entre os mais seguros do continente africano em matéria sanitária e reforçam a confiança de investidores e visitantes”, afirmou o responsável pelo sector da Saúde.
Face ao exposto, prossegue, não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem surto ativo de doenças gastrointestinais no arquipélago e tão pouco os dados disponíveis sustentam a interpretação apresentada na referida reportagem.
