Jornal anuncia morte de 4 turistas britânicos em 3 meses que adoeceram quando estavam de férias em C. Verde

A morte de turistas britânicos que adoeceram quando estavam de férias em Cabo Verde está a ganhar eco na imprensa internacional. O jornal The Sunday Times relata numa reportagem que pelo menos quatro pessoas (Elena Walsh, 64, de Birmingham, Karen Pooley, 64, de Gloucestershire, Mark Ashley, 55, de Bedfordshire, e um homem não identificado, de 56, de Chester) faleceram em 3 meses, acometidas por doença durante as suas estadias em Cabo Verde, com base em informações repassadas por advogados. Segundo a publicação, seis britânicos morreram desde 2023 após passarem férias no arquipélago.

O referido jornal publicou no dia 31 de janeiro uma reportagem, com destaque para a história de Lena Walsh, 64 anos, que, diz, comprou um pacote turístico da companhia Tui, com o marido, o filho e a futura nora. Mas, pouco depois de chegar ao Sal, a turista viria a contrair uma virose estomacal, que se revelou fatal em poucos dias. “A dor de estômago tornou-se tão intensa que ela foi levada ao hospital, onde os médicos locais suspeitaram de apendicite e tentaram remover o órgão saudável. Seu marido, que esperava do lado de fora da sala de cirurgia, ouviu-a gritar de dor”, diz o jornal online. Uma autópsia, conforme a citada publicação, revelou que Walsh morreu de insuficiência cardíaca, enquanto uma gastroenterite foi listada como um fator secundário.

A família Walsh, escreve o The Sunday Times, não é a única a perder um ente querido em Cabo Verde. Uma investigação jornalística, prossegue, revelou que outros três britânicos morreram em apenas três meses após a morte de Walsh, igualmente depois de adoecerem em Cabo Verde e receberem “atendimento médico inadequado” em hospitais locais. Karen Pooley, de 64 anos, Mark Ashley, de 55, e David Smith, de 54 (nome fictício), revela a reportagem, morreram de diversas complicações médicas — incluindo gastroenterite, fraturas ósseas e insuficiência cardíaca — contraídas durante férias em Cabo Verde.

“Os quatro tinham problemas de saúde preexistentes, mas controláveis. Suas famílias questionaram se Cabo Verde era um destino seguro para eles, dada a qualidade do sistema de saúde, que o Ministério das Relações Exteriores britânico classifica como ´muito básico e limitado´”, informa a publicação. O jornal revela que as redes de hotéis Tui e Riu declararam estar “profundamente entristecidas” com as mortes e ofereceram suas “sinceras condolências às famílias afetadas”. As famílias dos 4 turistas  mortos por infecção contraída em Cabo Verde pretende, entretanto, recorrer à justiça e processar o operador de viagens TUI, que lhes vendeu os pacotes turísticos para hotéis da cadeia hoteleira espanhola Riu.

Cabo Verde é descrito pelo jornal como um destino paradisíaco, que oferece sol, praias e temperaturas amenas durante todo o ano. Realça que nas últimas duas décadas a sua popularidade aumentou consideravelmente, com as ilhas do Sal e da Boa Vista a se mostraram particularmente atraentes para as operadoras de turismo, que as apresentaram como alternativas mais baratas ao Caribe. Na sequência, o número de visitantes cresceu rapidamente, passando de 115.000, em 2000, para 981.000 em 2024. Os turistas britânicos passaram a representar 36% do total, revela o jornal na sua edição digital.

Relembre-se que o Instituto do Turismo de Cabo Verde chegou a emitir um comunicado no qual assegura que estava a desenvolver diligências para se inteirar da morte de uma das turistas no ano passado, após ficar a saber do caso pela comunicação social. O ITCV salientou na altura que, em parceria com a Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE), tem feito inspeções sistemáticas aos hotéis e restaurantes no Sal e em todos os estabelecimentos turísticos do país, para assegurar que as condições de higiene e segurança alimentar sejam cumpridas rigorosamente. E prometeu redobrar essas ações.

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