Governo considera caução aplicada pela USA consequência de estadias ilegais de emigrantes cabo-verdianos nesse país

O Governo lamentou a decisão dos Estados Unidos de passar a exigir uma caução aos cabo-verdianos para a obtenção de vistos de turismo e negócios, mas salientou que a medida resulta do comportamento dos cabo-verdianos que, na posse de um visto de turismo ou de negócios, acabam por desrespeitar as leis norte-americanas sobre a emigração. Fazem isto, conforme comunicado do Palácio da Várzea, quando resolvem permanecer nesse país para além do tempo permitido ou acabando por ficar ilegalmente no território da USA, caindo no que se designa de “overstay”.

“Pelos dados disponibilizados no Relatório do Departamento da Homeland Security ao Congresso dos EUA, em relação ao ano de 2024, no tocante aos vistos de turismo e de negócio, Cabo Verde tem uma taxa de overstay de 13,26%, um agravamento em relação a 2023, em que era de 12,41%, números muito maiores que vários outros países”, complementa o Palácio da Várzea, que lava as mãos sobre a medida anunciada pela Embaixada da USA na cidade da Praia.

Para o Executivo, a situação resulta de “comportamentos individuais” que, faz questão de frisar, “não têm nada a ver” com a sua intervenção. Aliás, o comunicado sublinha que o Governo chegou a chamar atenção no ano passado para a responsabilidade dos visitantes nacionais e daqueles que os ajudam a permanecer ilegalmente nos Estados Unidos para além do tempo permitido por cada tipo de visto. Na nota, reforça o apelo para evitarem esse tipo de comportamento para que Cabo Verde possa ser retirado da lista de 38 países, cujos cidadãos passarão a pagar caução de entrada nos Estados Unidos de até 15 mil dólares, na sua maioria a partir de 21 de janeiro. Para o Executivo, o retorno à situação anterior pode acontecer desde que haja uma diminuição substancial da taxa de overstay e isso possa constar no relatório da Homeland Security.

A forma como o Governo decidiu reagir, atirando as culpas para as costas dos emigrantes ilegais, caiu mal entre os internautas. Na página do Facebook do Executivo mais de 300 pessoas manifestaram a sua indignação pelo conteúdo do comunicado e na sua maioria lembram ao Executivo da história da emigração cabo-verdiana, nomeadamente para América. E frisam que, quando o Palácio da Várzea quer, coloca os emigrantes no pedestal, mostrando o impacto das suas remessas para a economia nacional. Desta feita, dizem, resolveu tirar o corpo fora.

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