O futuro da TACV – Cabo Verde Airlines está de novo sobre a mesa das conversações do Governo. O Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, e o Ministro dos Transportes e Mar, João do Carmo, reuniram-se esta terça-feira, 11 de agosto, com representantes da empresa suíça Moov, que manifestou interesse no setor da aviação civil cabo-verdiana, em particular na companhia aérea nacional.
O encontro serviu para o Governo conhecer a visão estratégica da Moov para a aviação civil e, sobretudo, a sua perspetiva para o futuro da TACV no quadro do projeto Atlantic Gateway, uma rede aérea intercontinental que pretende reforçar as ligações entre a Europa, África e a América Latina. Segundo o Ministro dos Transportes e Mar, a empresa suíça apresentou uma estratégia de longo prazo e faseada, tendo como primeira prioridade a estabilização da companhia aérea cabo-verdiana.
“Faremos de tudo para que os interesses dos cabo-verdianos sejam salvaguardados. Essa é a principal missão deste Governo no tocante aos transportes: defender os interesses dos cabo-verdianos”, salientou. E é precisamente a palavra “estabilização” que parece marcar esta nova etapa, assegura o governante.
A TACV continua a ser apresentada pelo Governo como uma peça fundamental para a conectividade do arquipélago, num país onde a aviação civil não representa apenas uma atividade económica, mas uma infraestrutura essencial para aproximar ilhas, ligar Cabo Verde ao exterior e sustentar setores como o turismo, o comércio e os negócios. Qualquer eventual parceria, contudo, terá de responder a uma questão central: como garantir que uma solução para a companhia aérea não comprometa os interesses do país
A Moov, com sede em Lugano, na Suíça, demonstrou interesse em prosseguir as conversações, abrindo caminho para uma nova fase de contactos com o Governo cabo-verdiano. A empresa está associada ao desenvolvimento do projeto Atlantic Gateway, assente numa visão de conectividade aérea internacional com particular enfoque nas ligações entre a Europa, África e América Latina, incluindo o reforço das ligações regionais e a oferta de experiências de viagem de segmento premium.
Para Cabo Verde, a eventual integração nesta estratégia poderá representar uma oportunidade para reposicionar o país nas rotas aéreas internacionais e reforçar o seu papel como plataforma de ligação entre diferentes mercados. Mas, antes de qualquer decisão, haverá ainda um caminho a percorrer.
O Governo pretende aprofundar o conhecimento sobre a empresa e avaliar a sua proposta. Para isso, está prevista uma deslocação à Suíça, onde deverão prosseguir os contactos e ser conhecida de forma mais detalhada a estratégia da Moov. O encontro desta terça-feira foi, por isso, mais um passo do que um ponto de chegada.
A questão essencial continuará a ser a sustentabilidade da TACV e a capacidade de encontrar um parceiro que consiga contribuir para a sua estabilização e crescimento sem deixar para trás aquilo que o Governo considera ser o interesse nacional. Num setor em que as distâncias podem determinar oportunidades ou isolamento, o futuro da companhia aérea nacional será também, em grande medida, uma discussão sobre o futuro da própria conectividade de Cabo Verde.
