O Presidente do PAICV prometeu hoje, no término de uma visita de dois dias a S. Vicente para que o se inteirar da situação pós-tempestade Erin, que vai continuar a apoiar a ilha e as suas gentes. Francisco Carvalho expressou profunda solidariedade para com os povos de S. Vicente neste momento difícil, alargado à S. Nicolau e Santo Antão, desafiou as autoridades a elaborarem planos de emergência para o futuro e defendeu a eliminação das casas de bidon no país, medida que vai, inclusive, constar do programa de governação do PAICV.
“A nossa solidariedade é total neste momento e aproveito para sublinhar que não vim antes porque tinha de preparar o município da Praia e também devido a dificuldades de transportes”, declarou o político em conferência de imprensa no Mindelo, para fazer o balanço da visita, realçando a sua disponibilidade para continuar a apoiar e a trabalhar com a população destas três ilhas. “Realizamos uma campanha que nos permitiu, num primeiro momento, arrecadar um conjunto de apoios para esta ilha. Angariamos produtos de higiene e alimentares, e vestuários. Também disponibilizamos duas ambulâncias, uma equipa de seis bombeiros e apoios directos para organizações da sociedade civil em S. Vicente, no montante de seis milhões de escudos”, detalhou o líder do partido tambarina.
O objectivo, refere, era chegar o mais rapidamente possível às pessoas, através das associações que trabalham nas comunidades. Congratulou-se, entretanto, com a grande solidariedade da própria população da ilha. “Nas deslocações que fizemos aos diferentes sítios, instituições e empresas pudemos perceber que houve uma grande solidariedade por parte dos sanvicentinos, mas também de cabo-verdianos nas ilhas e da nossa diáspora”, indicou Francisco Carvalho.
Ainda assim, frisou, pode perceber que persistem muitas dificuldades, o que o levou a apelar à um apoio concreto e urgente às empresas afectadas de forma directa pelos acontecimentos de 11 de agosto. Igualmente, as famílias precisam de auxílio imediato, designadamente em aspectos que têm a ver com habitação e financeiros. “Outro aspecto importante que constatamos tem a ver com a preparação do ano lectivo, que inicia no dia 15 de setembro.”
Planos de emergência
Entende o presidente do PAICV é necessário um plano de emergência para situações de crise, mas também é preciso tirar ilações e lições deste acontecimento. “Não podemos ficar apenas no hoje. Temos de ter planos de intervenção a médio e longo prazo para enfrentar situações de crise, como o que se viveu na ilha. Temos de continuar a pensar em S. Vicente e Cabo Verde para não ficarmos apenas no momento atual. Temos de ter planos para o futuro.”
Enquanto presidente do PAICV, Carvalho assumiu o compromisso de defender estas medidas junto do Governo e das autoridades internacionais. Garantiu, por outro lado, que estas vão também fazer parte do programa de governação, caso o partido vença as legislativas de 2026. “Iremos apresentar um programa de governação que pensa no imediato e também a médio e longo prazo no que tange às medidas de prevenção. Este é um momento de solidariedade, mas também de avaliação, de apreender e construir lições para o futuro para que possamos prevenir dentro daquilo que é possível.”
O líder tambarina assumiu o compromisso de igualmente eliminar as barracas em Cabo Verde. “É uma questão de honra para nós eliminar as casas de bidon no país. Não podemos continuar a falar em redução, mas sim em eliminação. Vamos continuar a defender e a apresentar medidas e propostas concretas para a segurança e estabilidade dos cabo-verdianos. Vamos continuar a analisar formas de unir esforços para reconstruir S. Vicente,” reforçou, indicando que foi esta a mensagem que levou ao edil mindelense, numa visita de grande amabilidade onde foram discutidas várias questões.
Aliás, diz Francisco Carvalho, do encontro ficou assente que as duas câmaras vão avaliar o que é possível fazer em conjunto, quer em termos técnicos como também na montagem de processos de angariação de mais apoios a nível internacional. Em jeito de exemplo, Carvalho citou um concurso a nível internacional que a CMP vai participar e que tem a ver com questões de alterações climáticas, cujos fundos serão canalizados na totalidade para a ilha de São Vicente.
Para este dirigente do maior partido da oposição, a prioridade neste momento é ajudar as pessoas, mas não descarta a possibilidade de se fazer avaliações “no tempo certo”, no sentido de se construir um melhor futuro para todos. “Estamos a falar em avaliações positivas, sem perseguição e nem ajustes. O PAICV está focado em uma outra forma de fazer política. Não estamos aqui para atacar ninguém. Iremos fazer avaliações técnicas e políticas objetivas, para tirar ilações, melhorar, evoluir e andar para a frente.”
Instado sobre a transparência na gestão dos recursos, inclusive do empréstimo contraído junto do Banco Mundial, Carvalho defende que a responsabilidade é de quem recebe as doações, bastando para isso que sejam publicadas as listas das ofertas, à semelhança do que foi feito pela Câmara da Praia.